Telefilmesquecidos #103
A família Benedict, recém-chegada a uma ilha na costa de Seattle, precisa se adaptar à sua nova residência. Embora pareçam ter tudo, não conseguem mostrar-se satisfeitos com suas vidas.
O pai, Jeff (William Shatner), é um dentista viciado em trabalho que ignora as necessidades da esposa Liz (Patty Duke), uma mulher frágil e amargurada, e da filha pré-adolescente, Tara (Quinn Cummings), que passa a maior parte do tempo sozinha e resmungando para uma boneca de pano.
Brincando nos arredores da casa, enquanto passeava pela ilha, Tara faz amizade com uma moça misteriosa, porém simpática, chamada Joanna (Stephanie Zimbalist), que surge logo após Liz sofrer um acidente de carro sem consequências graves.
Liz — meio dondoca, sem muito com que se ocupar — acha desgastante cuidar da casa e criar uma criança de 12 anos, razão pela qual contrata Joanna para trabalhar como babá, cozinheira e governanta residente. De início, o marido Jeff é contra a ideia, mas muda de opinião ao conhecer Joanna e trocar olhares com ela pela primeira vez.
A bela, doce e prestativa Joanna, de apenas 18 anos, parece uma dádiva dos céus: acolhe Tara e não poupa comentários gentis e oportunos ao casal Liz e Jeff. Aos poucos, no entanto, ela começa a lançar olhares sedutores para Jeff e a empurrar Liz (que é alcoólatra) de volta para a bebida.
Quanto mais Joanna ganha espaço na casa, mais manipula a família e abre caminho para a ruína da relação do casal. Mas por que Joanna escolheu aquela inofensiva família para destruir? O que ela ganha com isso?
Por um breve momento, o telefilme tenta fazer com que Joanna desperte certa empatia (apesar de suas tramoias maldosas), retratando-a como uma jovem solitária e carente de afeto, cuja necessidade de aceitação tomou um rumo sombrio.
Histórias bastante semelhantes foram também abordadas no telefilme Summer Girl (1983) e no filme A Mão que Balança o Berço (The Hand That Rocks the Cradle, 1992). Todos eles têm em comum uma esposa que ousa contratar uma jovem atraente para cuidar de seus filhos, por não darem conta, sozinhas, de criá-los e administrar a casa. As jovens contratadas como babás (ou governantas) logo farejam inseguranças e vulnerabilidades e acabam assumindo o controle de toda a casa. Outra característica desse tipo de filme é que os homens são sempre presas muito fáceis, incapazes de se controlar diante de uma jovem bonita.
A Babysitter pode frustrar um pouco pela lentidão e pelo foco no melodrama do casal. O clima de suspense, mesmo sutil, está presente, mas a tensão de verdade só ganha contornos reais nos minutos finais da história.
O elenco é de primeira. Entre os principais, Patty Duke, que aos 15 anos ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por O Milagre de Anne Sullivan (The Miracle Worker, 1962) e participou de uma infinidade de telefilmes entre as décadas de 1970 e 1990, como Meu Doce Charlie (My Sweet Charlie, 1970), A Maldição da Viúva Negra (Curse of the Black Widow, 1977), O Resgate de Jessica (Everybody's Baby: The Rescue of Jessica McClure, 1989) e muitos outros.
William Shatner, o eterno Capitão Kirk do seriado Jornada nas Estrelas (Star Trek, 1966–1969), construiu uma carreira lendária de quase seis décadas na TV e no cinema.
Quinn Cummings ganhou destaque como atriz mirim ao interpretar Lucy McFadden em A Garota do Adeus (The Goodbye Girl, 1977), papel pelo qual foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, tornando-se uma das pessoas mais jovens a receber uma indicação ao prêmio.
Stephanie Zimbalist fez muitos telefilmes (como Caroline?, de 1990) e seriados entre as décadas de 1970 e 2000, além de alguns filmes para o cinema, como Reencarnação (The Awakening, 1980).
O diretor, Peter Medak, havia acabado de dirigir o ótimo Intermediário do Diabo (The Changeling, 1980), que só chegou aos cinemas brasileiros em 1984 e foi posteriormente lançado em VHS com o título A Troca. O eclético currículo de Medak inclui A Classe Dominante (The Ruling Class, 1972), As Duas Faces de Zorro (Zorro the Gay Blade, 1981), Lágrimas para os Estranhos (Cry for the Strangers, 1982), O Sangue de Romeo (Romeo Is Bleeding, 1993) e A Experiência 2 - A Mutação (Species II, 1998), entre outros.
A Babysitter estreou na TV americana em 28 de novembro de 1980, na ABC. Demorou a estrear na TV brasileira, em 11 de maio de 1991, na Manchete.
A sinopse do filme, no Jornal do Brasil, chamou a trama de "melindrosa, com pretensão psicológica, mas desfecho frustrante" (Jornal do Brasil, 11 de maio de 1991). Quando o filme foi reprisado, em 1993, a sinopse de O Globo cutucou: "Soa familiar? Este telefilme narra de forma convincente quase a mesma história da recente produção cinematográfica A Mão Que Balança o Berço (1992). Confira." (O Globo, 14 de fevereiro de 1993).
Lançado em VHS no Brasil pela Globo Video, com o título A Enviada do Mal.
Não confundir com Uma Babá Objeto do Desejo (The Babysitter, 1995), com Alicia Silverstone.

























