27 setembro 2015

Excêntricas capas de LPs dos anos 50 e 60 - Parte 3


A terceira e  última parte das excêntricas capas dos anos 50 e 60, continuação da  parte 1 e da parte 2.


Duda e Seu Conjunto – Hoje Tem Baile (1957)




Nestor Campos e Seu Conjunto de Boite – Boite (1957)




Paul Pincus And His Orchestra – Music For Happy Occasions (1957)




Astor e Sua Orquestra – Um Brasileiro em Roma (1959)




Ernani e Seu Conjunto – Momentos Dançantes (1959)




Nozinho e Sua Orquestra – Tropicana (1959)



Scarambone e Seu Conjunto de Dança – Aquarela de Ritmos Vol.2 (1959)




Scarambone e Seu Conjunto – Órgao Dançante (1960)




Heraldo e Seu Conjunto – Dançando Com O Sucesso Vol.2 (1962)




Paulo Moura, Aurino, Maurilio e Nelsinho – Coquetel de Sucessos (1961)




Leo Jordan e Seu Conjunto – O Balanço Chegou - Vocal: Joab e Côro (1962)




Luis Reis e Seu Ritmo Contagiante – Samba de Balanço (1962)




Miranda e Conjunto – O Máximo no Gênero (1963)




Lelio e Seu Conjunto – Momentos de Alegria (1963)




Sonia Rosa – A Bossa Rosa de Sonia (1967)



07 setembro 2015

Enrola e desenrola


"Se você escolher lutar, vire para a página 21.
Se escolher blefar, página 32 então."

"Se concordar com Simone, volta à página 4.
Se preferir o plano de Raoul, volte à 6."

"Se você tira fotos, tire na página 92.
Se recua para dentro do bosque, embrenhe-se na página 94."

São decisões aparentemente simples, mas que podem levar o rumo da história para os mais diversos caminhos. Alguns até catastróficos. Mas todos extremamente divertidos. Assim eram os gamebooks da série Enrola e Desenrola. A coleção, publicada no Brasil pela Ediouro (a mesma que publica as palavras cruzadas Coquetel), atravessou toda a década de 1980 e foi muito popular até meados dos anos 90.


Era um novo gênero de livros infanto-juvenis e um novo tipo de estrutura narrativa, que estimulava a imaginação dos jovens leitores e os instigava a querer ler mais e mais, já que eles tinham um certo controle das histórias. E como elas tinham dezenas de finais diferentes, lia-se o livro várias vezes para ver o que aconteceria se uma decisão tivesse sido tomada no lugar de outras.


Com a colaboração de tradutores gabaritados como Orígenes Lessa (um dos imortais da Academia Brasileira de Letras), a Ediouro começou a publicar a coleção Enrola e Desenrola no Brasil. A coleção original, Choose Your Own Adventure, americana, era publicada pela Bantam Books (hoje pertencente à Random House). Esses livros foram os precursores dos RPGs, mas com a diferença de não dependerem de outros participantes para o "jogo".



Cada livro tinha um tema principal: uma casa mal-assombrada, um passeio no deserto, espionagem de guerra, uma viagem espacial etc. As histórias variavam entre mistério, aventura e ficção científica. Seguindo a narrativa, o leitor se deparava constantemente com decisões que ele mesmo deveria tomar e, dessa forma, decidir qual o caminho a ser seguir. Uma divertida incursão na ficção interativa para a garotada.

O primeiro que comprei foi Sabotagem, mas meu favorito era Quem Matou Harold Taylor?, pois eu já era apaixonado por histórias de detetive desde a pré-adolescência. Ainda hoje a coleção é lembrada como uma das mais populares para crianças dos anos 80 e 90. Vendeu mais de 250 milhões de cópias entre 1979 e 1998. Era uma diversão acessível, empolgante e só dependia de uma coisa: vontade de ler. Com a atual profusão de apetrechos tecnológicos, esses livros hoje dificilmente empolgariam a meninada como empolgou minha geração. 



Edward Packard, autor que abriu a série com A Gruta do Tempo (The Cave of Time), escreveu vários outros títulos para a coleção (Nome de Código: Jonas, Quem Matou Harold Taylor?, A Casa Mal-Assombrada etc.). Em 2010, ele abriu uma nova empresa, a U-Ventures, lançando aplicativos no estilo dos livros Choose Your Own Adventure, para iPhone e iPad. Os aplicativos são baseados em alguns livros do próprio Packard. O primeiro título lançado foi Return to the Cave of Time, espécie de continuação da história que inaugurou a série impressa no começo dos anos 80. 


01 setembro 2015

O adeus ao senhor do pânico


Reza a lenda que agosto é o "mês do desgosto", ou do azar. A verdade é que essa crença popular tornou-se uma superstição internacional. E foi justamente no último domingo de agosto que Wes Craven, diretor que tornou-se ícone dos filmes de terror, morreu.



Famoso por ter criado um estilo próprio dentro do gênero 'terror adolescente', ficou muito conhecido nos anos 80 por A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984), que teve várias continuações. Na década seguinte, com Pânico (Scream, 1996), resgatou o gosto do público pelos filmes de terror, numa época em que o gênero andava bem desgastado. Craven faleceu no último dia 30 de agosto, aos 76 anos, em Los Angeles, vítima de um tumor cerebral. Curiosamente, foi também em 30 de agosto (de 1972) que seu primeiro filme, Aniversário Macabro (The Last House on the Left), estreou.


Como muito já se falou e escreveu sobre seus longas mais famosos (os filmes de Freddy Krueger, por exemplo), tentei fugir das escolhas mais óbvias e fiz uma pequena lista com seis ótimos filmes do diretor. Alguns não são muito conhecidos do grande público, mas merecem ser vistos.

Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972)


Primeiro trabalho de Craven como cineasta. Ele mesmo escreveu o roteiro, dirigiu e editou. Duas adolescentes saem para comemorar o aniversário de uma delas em um show de rock. Mas são sequestradas por uma gangue de bandidos sádicos, que as torturam, estupram e matam. Algum tempo depois, um dos bandidos vai se esconder na casa de uma de suas vítimas. Os pais da moça, a medida em que descobrem o que realmente aconteceu à sua filha, começam a planejar uma vingança com requintes de crueldade contra seu assassino. Censurado em vários países, o filme, com ares de produção amadora, mantém sua aura de polêmica. Mas é arrastado e muitas vezes incômodo, apesar de seu valor histórico para o cinema de horror. A história foi inspirada em um filme - pasmem! - de Ingmar Bergman, A Fonte da Donzela (Jungfrukällan, 1960).


Verão do Medo (Summer of Fear / Stranger in Our House, 1978)


Filme para a TV, com Linda Blair como protagonista. E um dos meus favoritos. A vida da adolescente Rachel (Linda Blair) vira de ponta cabeça quando sua prima Julia (Lee Purcell) se muda para sua casa. Acontecimentos estranhos, assustadores e até sobrenaturais passam a perturbar a pacata vida de Rachel. Com o passar do tempo, ela começa a suspeitar que a prima pode estar envolvida com feitiçaria. Mas quem acreditaria nisso?


Benção Mortal (Deadly Blessing, 1981)


John Schmidt é filho de Isaiah (Ernest Borgnine), líder dos hititas - seita ao estilo Amish, porém mais rígida e conservadora. Ele abandonou o credo familiar para se casar com a forte e independente Martha (Maren Jensen). Mas John morre misteriosamente depois de um acidente com um trator. A viúva então passa a ser perseguida pelos tais hititas. Sozinha no vilarejo cheio de fanáticos, ela recebe a visita das amigas Lana (Sharon Stone em seu primeiro papel de protagonista) e Vicky (Susan Buckner). O ator Michael Berryman (o Pluto de Quadrilha de Sádicos) repete a parceria que já havia feito com Wes Craven. Curiosidade: em uma das cenas, a personagem de Susan Buckner está saindo do cinema, onde acabou de assistir Verão do Medo, filme também dirigido por Craven.

Sharon Stone em Benção Mortal

O filme dentro do filme: Verão do Medo aparece em Benção Mortal


Convite Para o Inferno (Invitation to Hell, 1984)


O engenheiro eletrônico Matt Winslow (Robert Urich) se muda com a simpática família para Silicon Valley, na Califórnia, para trabalhar em um projeto especial. Logo após a mudança, começam as pressões para que ingresse no badalado clube de campo local. Mas o tal clube serve, na verdade, como fachada para um culto demoníaco. Não só a família de Matt, mas toda a comunidade local está em perigo. Esse telefilme vale mais por uma curiosidade: a presença da atriz mirim Soleil Moon Frye (a Punky do seriado Punky - A Levada da Breca). A tentativa de juntar elementos de terror sobrenatural com ficção científica saiu meio confusa, mas a diversão é garantida.

Soleil Moon Frye em Convite Para o Inferno


Um Frio Corpo sem Alma (Chiller, 1985)


O rico executivo Miles (Michael Beck, par romântico de Olivia Newton-John em Xanadu) é portador de uma doença incurável. Quando ele morre, a mãe ordena que o filho seja criogenicamente congelado, na esperança de que ele possa voltar à vida no futuro, com a evolução da medicina. Dez anos depois ele é milagrosamente revivido, mas parece não ter mais alma. Frio e sem emoções, ele nutre um enorme apetite por fazer o mal. Feito para a TV.


A Maldição de Samantha (Deadly Friend, 1986) 


Após conseguir uma bolsa de estudos na universidade local, o jovem gênio Paul (Matthew Laborteaux) se muda com a mãe para uma pacata vizinhança no interior dos EUA. Com conhecimentos de robótica e inteligência artificial, Paul cria o robô BB, dotado de vontade própria e força física. BB se torna seu melhor - e único - amigo, até que Paul conhece a vizinha Samantha (Kristy Swanson). A moça mora com o pai bêbado e violento, que a espanca constantemente. Em uma das brigas, ele acaba matando a filha. Inconformado, Paul quer trazê-la de volta à vida. Para isso, implanta o cérebro eletrônico de BB no cérebro humano de Samantha. Mas o resultado não é o que Paul esperava: Samantha vira uma criatura descontrolada, capaz de trucidar quem a contraria. Impossível esquecer a exagerada cena da velha com a cabeça explodida por uma bola de basquete. É um filme divertido que merece ser visto. Um dos meus favoritos de Wes Craven.


20 agosto 2015

Relembrando 1986


Contagem regressiva para a estreia de Cambalacho, no canal Viva. Muitos fãs da novela já começaram a entrar no clima. Desde a primeira exibição, em 1986, lá se vão 29 anos. Nessas quase três décadas que nos separam daquela época, a fama de "cambalacheiro" do brasileiro ainda continua de pé. Escândalos envolvendo corrupção e impunidade estampam, mais do que nunca, as capas dos jornais e revistas do país, assim como os telejornais. 

Por outro lado, várias coisas mudaram em nossos hábitos de consumo e em nossa rotina diária. Vamos dar uma olhadinha em 1986 e tentar fazer um paralelo com 2015. Para quem viveu aquele tempo, será uma visita rápida ao passado. Para quem ainda não era nascido, vai ser divertido conhecer um pouco de algumas coisas que marcaram aquele período. (Para ampliar as fotos, é só clicar sobre elas.)


Com o Plano Cruzado, o então presidente José Sarney iniciou a batalha contra a inflação, enquanto os preparativos para uma nova Constituição começavam a tomar forma.




Novela das 6 era Sinhá Moça, das 7 Cambalacho e das 8 Selva de Pedra (remake). Todas da Globo.



E teve também Dona Beija, que fez enorme sucesso na TV Manchete.



Com linguagem revolucionária e muitas referências à cultura pop, Armação Ilimitada fazia a cabeça de adultos e crianças.



Tênis coloridos, apesar de já estarem na moda, eram bem diferentes dos de hoje. Esse All Star baixinho era febre e existia em tudo quanto é cor.



Os sapatos não ficavam de fora da moda colorida.




Roupa da Cantão não podia faltar. Era peça quase obrigatória.



Computadores começavam a aparecer no Brasil, mas ainda estavam longe de fazer parte da rotina dos brasileiros. Só chegaram pra valer 10 anos depois. 



Videogame era o Atari, sonho de consumo da meninada.



Câmera digital? Nem pensar. No máximo, você podia escolher a cor da sua câmera.



O cheque estava em alta e era aceito em todos os lugares.



O cigarro ainda era extremamente popular, tanto entre os jovens como entre os mais velhos.





Os fumantes nao eram mal vistos como hoje. Tinha até xaropinho especialmente para a tosse e o pigarro deles.



Sem celular, o jeito era utilizar os orelhões públicos. Para não ficar na mão, era só andar com fichas.




Quem queria arrasar nas playlists não ficava sem um bom estoque de fitas cassete.



A bebida chique e muito difundida nas novelas era o uísque. A cerveja não era tão descolada como hoje. E os vinhos ainda custavam muito caro e a variedade era pouca no mercado.




Nas tardes de sábado, Abelardo Barbosa marcava presença com o inesquecível Cassino do Chacrinha






Cacau Show? Kopenhagen? Que nada. Lacta, Nestlé e Garoto eram os chocolates do momento.





Bem antes do sertanjeo universitário, ostentação era Milionário & José Rico.



Maionese light ou zero? Nenhuma das duas. Era a normal mesmo.



Relógios com pulseiras coloridas eram mania nacional. Os estojos vinham com várias.




A revista infantil do palhaço Alegria era, de fato, a alegria da criançada.



Ninguém imaginava que um dia haveria TripAdvisor. O Guia 4 Rodas era a bíblia para os viajantes e mochileiros da época.



Televisão com controle remoto era um luxo. 




E como não havia telefone celular nem internet, as TVs portáteis, moderníssimas, era um must.




Netflix pra quê? Se você tinha um Semp Toshiba 4 cabeças, era só se associar a um videoclube e alugar o filme de sua preferência. Um luxo só!



Muito antes da campanha publicitária do Boticário causar polêmica, a marca já era presença no Brasil afora.



E 1986 foi ano de Copa. O Brasil pode não ter sido campeão, mas muita gente ainda se lembra dos minúsculos shorts que os jogadores usavam.




Aliás, não só os jogadores usavam shorts bem curtinhos. Todo mundo usava. Era até difícil diferenciar os modelos masculinos dos femininos.



A grande mudança de 1986 não foi a saída de Xuxa da Globo para a Record e sim da Manchete para a Globo. Naquele ano, a futura Rainha dos Baixinhos iniciou seu reinado com o Xou da Xuxa. "Beijinho, beijinho, tchau tchau" virou bordão no país todo.






Quer luxo maior do que poder secar o cabelo e ainda passar sua roupa? Isso mesmo. Tinha até secador que virava ferro de passar.



A L'Oréal já estava na área. "Porque você merece."



Quem quisesse arrasar no visual, tinha que usar o gel purpurinado New Wave. Minha mãe besuntava meu cabelo toda vez que me levava a alguma festinha de aniversário.




Creme hidratante era Davene, claro.



O Halley, famoso cometa que visita a Terra a cada 75 anos, fez sua última aparição justamente em 1986. Por alguns momentos, ele ficou (mais ou menos) visível até mesmo a olho nu. Passei horas olhando para o céu e não vi nada...




Falando em corpos celestes, Madonna ainda era uma estrela em ascensão e lançava seu terceiro álbum, True Blue. Mas já tinha mostrado que havia chegado para ficar.




Outra cantora fazia enorme sucesso: Sandra. Hoje é uma ilustre desconhecida, mas em 1986 não havia quem não escutasse (I'll Never Be) Maria Magdalena pelo menos três vezes por dia.





Mas a grande estrela era mesmo Tinna Turner, que lançava seu sexto álbum solo, Break Every Rule.





Legião Urbana, ainda recente, lançava seu segundo LP, Dois. Mas o grupo já era reverenciado como um dos maiores do rock brasileiro.




A modelagem física estava no auge da moda, com os novos ídolos Sylvester Stallone ("Rambo") e Arnold Schwarzenegger ("O Exterminador do Futuro").



Comprar carro era bem mais difícil do que hoje. Automóvel era artigo de luxo.





O Almanaque Abril ("uma grande enciclopédia em apenas um volume") era o Google da época.



Mas sem Google, como aprender a letra das canções internacionais ou entender o significado delas? Simples: pelas revistas.



Muito antes de polêmicas na vida pessoal, Monique Evans estava no auge da carreira e da beleza. (E a Playboy ainda estampava suas capas com mulheres famosas).



Entre os best-sellers daquele ano, estavam Bufo & Spallanzani, de Rubem Fonseca; Olga, de Fernando Morais; Se Houver Amanhã, de Sidney Sheldon; As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley e O Amor Nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez.








O bom e (nem tão) velho Dicionário Aurélio estava de cara nova. Visual moderníssimo.




Antes de joguinhos de smartphones ou iPads, a molecada se divertia mesmo era com o Mico.



Essa foi apenas uma pequena amostra das tantas coisas que faziam parte do nosso dia a dia em 1986. A viagem foi curta, mas as lembranças continuam bem vivas. Ainda mais agora, com a volta de Cambalacho.