29 julho 2026

Morte em Canaã (A Death in Canaan, 1978)

Telefilmesquecidos #102

Em 28 de setembro de 1973, Barbara Gibbons (Sally Kemp) foi brutalmente assassinada em sua casa, na cidadezinha de Canaan, Connecticut. Seu filho de 18 anos, Peter Reilly (Paul Clemens), encontra o corpo e é indiciado pelo crime. Não demora muito para que ele seja preso.

Nas mãos da polícia local, Peter é submetido a uma cruel pressão psicológica, que o força a confessar a autoria do crime. A comunidade, que acredita na inocência do rapaz, se une em uma campanha de nível nacional para pagar sua fiança de 50 mil dólares. 



Baseado em uma história real que ganhou grande repercussão nos EUA na década de 1970. Até celebridades como a atriz Elizabeth Taylor, o cineasta Mike Nichols e o dramaturgo Arthur Miller colaboraram com a campanha pela liberdade de Peter.

Paul Clemens

Tom Atkins

Stefanie Powers

Quem primeiro chamou a atenção do país para o caso foi a escritora freelancer Joan Barthel (Stefanie Powers), com sua reportagem sobre o crime. Recém-chegada a Canaan, Joan se junta aos moradores que acreditam na inocência de Peter e decide tomar parte no caso. Por meio de seu trabalho jornalístico, unindo pesquisa e investigação, dispõe-se a revelar a farsa judicial armada para condenar Peter injustamente. Mais tarde, duas reportagens investigativas no The New York Times levaram à reabertura do caso. Após dois julgamentos, as acusações contra o rapaz foram retiradas, em 24 de novembro de 1976. 



A Joan Barthel da vida real, que acompanhou o caso de perto, reconstituiu a história em seu livro A Death in Canaan, publicado em 1976 e adaptado com sucesso para este telefilme. (No Brasil, o livro foi lançado em 1977 pela editora Francisco Alves, com o título Massacre em Canaã - A estarrecedora história de um erro judiciário).



A adaptação para a TV mantém o foco nos dois temas centrais do livro: a insistência e a pressa da polícia estadual na condução do caso contra Peter Reilly; e a manifestação espontânea de apoio ao acusado por parte dos moradores de Canaan, ao perceberem a injustiça.



O elenco é excelente. Paul Clemens impressiona pela atuação sensível como o desprotegido Peter Reilly. Apesar de não muito lembrado hoje, Clemens participou de várias séries de TV entre as décadas de 1980 e 2000, além de filmes como Sangue Amaldiçoado (The Beast Within, 1982) e Estranhos Visitantes (Communion, 1989).


Stefanie Powers interpreta a escritora Joan Barthel. A atriz já tinha longa experiência na TV e no cinema desde a década de 1960, mas se tornaria popular mundialmente um ano depois de Morte em Canaã, ao protagonizar o seriado Casal 20 (Hart to Hart, 1979-1984) com Robert Wagner.  

Tom Atkins vive Bragdon, o policial inescrupuloso que tentou, de todas as formas, obrigar Peter a admitir algo que ele não havia feito. Atkins participou de inúmeras séries de TV e filmes, entre eles A Bruma Assassina (The Fog, 1980), Fuga de Nova York (Escape From New York, 1981), Creepshow - Show De Horrores (Creepshow, 1982), Máquina Mortífera (Lethal Weapon, 1987) e muitos outros.

No papel de Barney e Rita Parsons, pais do melhor amigo de Peter, que lutaram incansavelmente por justiça, Brian Dennehy e Conchata Ferrell, sempre ótimos (mesmo em papéis coadjuvantes). Dennehy virou presença constante em inúmeras séries e telefilmes a partir da década de 1970, além de ter participado de outros inúmeros filmes para o cinema, como Rambo: Programado para Matar (First Blood, 1982), Silverado (Silverado, 1985), Cocoon (Cocoon, 1985) e muitos outros. Ferrell é mais conhecida como a impagável Berta do seriado Dois Homens e Meio (Two and a Half Men, 2003-2015).

Brian Dennehy

Conchata Ferrell

Jacqueline Brookes, igualmente ótima como Mildred Carston, a advogada de desfesa de Peter, também tem vasto currículo desde a década de 1960, em séries, filmes para a TV e para o cinema como Histórias de Fantasmas (Ghost Story, 1981), A Entidade (The Entity, 1982), Corra que a Polícia Vem Aí 2½ (The Naked Gun 2½: The Smell of Fear, 1991), O Anjo Malvado (The Good Son, 1993) e outros tantos.

Paul Clemens e Jacqueline Brookes


Dirigido por Tony Richardson, prestigiado diretor inglês de teatro e cinema, com uma prolífica carreira de cinco décadas. Richardson tornou-se figura central entre dramaturgos e diretores britânicos na década de 1950. Seus filmes Odeio Essa Mulher (Look Back in Anger, 1959), O Anfitrião (The Entertainer, 1960), Um Gosto de Mel (A Taste of Honey, 1961) e A Solidão do Corredor de Fundo (The Loneliness of the Long Distance Runner, 1962) são considerados clássicos do kitchen sink realism ("realismo da pia de cozinha") — movimento cultural britânico do final dos anos 1950 e início dos 1960 que retratava, de forma crua e honesta, o cotidiano da classe trabalhadora, focando nos dramas domésticos e sociais. Em 1964, ganhou o Oscar de Melhor Diretor por As Aventuras de Tom Jones (Tom Jones, 1963), que também levou o Oscar de Melhor Filme.

Morte em Canaã estreou na TV americana em 1º de março de 1978, na CBS. Chegou à TV brasileira em 28 de abril de 1979 (bastante rápido, para os padrões da época) na Globo. Na década de 1990, foi reprisado na Manchete.



Nenhum comentário:

Postar um comentário