01 julho 2014

10 covers que superam os originais - Parte 2


A continuação do post anterior, sobre músicas que, ao serem gravadas/lançadas não fizeram sucesso e, quando regravadas e relançadas por outros artistas, lideraram as paradas.


Tainted Love
Original: Gloria Jones (1965)
Regravação: Soft Cell (1981)
A cantora americana Gloria Jones gravou a versão original da canção para o lado B do compacto My Bad Boy’s Comin’ Home. A faixa foi um fiasco em termos comerciais, mas tornou-se cult no circuito underground de nightclubs britânicos, no final dos anos 70 (mais de uma década depois de ter sido lançada!). O duo inglês Soft Cell, de synth-pop, regravou uma versão moderna de Tainted Love em 1981. O sucesso, instantâneo, garantiu o 1° lugar da parada em oito países. Muitos pensam até que ela foi composta nos anos 80, pois tornou-se  hit emblemático daquela década.




The Tide is High
Original: The Paragons (1967)
Regravação: Blondie (1980)  
The Paragons era uma banda jamaicana de ska e rocksteady (estilo musical da Jamaica, algo entre o reggae e ao ska), com vocais harmônicos influenciados por grupos de soul e rythm & blues americanos. Em 1967, lançaram o compacto The Tide is High, composto por um dos membros do grupo, John Holt. Treze anos depois, Chris Stein, guitarrista do Blondie, descobriu a faixa em uma coletânea de reggae que havia comprado na Inglaterra. O Blondie a regravou para ser incluída no álbum Autoamerican. A canção se tornou o segundo compacto do Blondie a alcançar o 1° lugar das paradas e virou um dos grandes hits do grupo. 




If I Can't Have You 
Original:  Bee Gees (1977)
Regravação: Yvonne Elliman (1977)
Composta por Barry, Robin e Maurice Gibb - os Bee Gees - para a trilha sonora de Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever), acabou sendo o lado B do compacto Stayin' Alive. A versão usada no filme, entretanto, não foi a dos Bee Gees e sim a gravada por Yvonne Elliman. Tornou-se o maior sucesso da cantora. Lançado no comecinho de 1978, If I Can't Have You foi o quarto compacto extraído da trilha de Saturday Night Fever e o primeiro que não era cantado pelos Bee Gees. Tornou-se o quarto hit do filme a emplacar o topo das paradas. A faixa foi incluída também no álbum de Yvonne, Night Flight, lançado na mesma época.




Girls Just Want to Have Fun
Original: Robert Hazard (1979)
Regravação: Cyndi Lauper (1983) 
Robert Hazard compôs e gravou a canção. A ideia era lançá-la com sua banda, Robert Hazard and the Heroes. Por algum motivo, a composição acabou esquecida e nem chegou a ser lançada. Até que, quatro anos depois, enquanto o produtor Rick Chertoff estava à procura de material para o álbum de estreia de Cyndi Lauper, She's So Unusual, esbarrou na canção e apostou em seu potencial de sucesso. Os três se encontraram e Hazard concordou em permitir um ajuste na letra (que havia sido escrita de uma perspectiva masculina) para se encaixar na interpretação de Lauper. Vitou o maior hit da cantora.




Don't Turn Around 
Original: Tina Turner (1986)
Regravação: Ace of Base (1994) 
A canção foi composta por Diane Warren e Albert Hammond e gravada por Tina Turner. Warren, no entanto, ficou desapontada quando sua composição foi usada como reles lado B do compacto Typical Male, sem nem sequer entrar no álbum Break Every Rule, lançado por Tina Turner naquele ano. Apesar de regravada depois por vários artistas, nenhum obteve o sucesso que os suecos do Ace of Base conseguiram com a versão de 1994 de Don't Turn Around, que se tornou um dos maiores hits do grupo.



27 junho 2014

10 covers que superam os originais - Parte 1

Algumas músicas fazem tanto sucesso e tornam-se tão emblemáticas que fica difícil dissociá-las dos cantores/grupos que deram voz a elas. Mas muitos desses hits foram compostos e até lançados bem antes de estourarem nas paradas de sucesso. Nem sempre a primeira gravação de uma canção consegue emplacar. No entanto, quando regravadas e interpretadas por outros artistas, a canção pode virar uma verdadeira máquina de sucesso. É o caso dessas 10 músicas que selecionei. Aqui vai a primeira parte:

(They Long to Be) Close To You
Original: Richard Chamberlain (1963)
Regravação: The Carpenters (1970)
Uma das composições mais conhecidas e famosas de Burt Bacharach e Hal David. O primeiro a gravá-la foi o ator Richard Chamberlain, famoso por séries clássicas da TV como Dr. Kildare (1961-66), Shogun (1980) e Pássaros Feridos (1983), além de filmes como O Conde de Monte Cristo (1975) e O Homem da Máscara de Ferro (1977). Quando foi lançada em compacto por Chamberlain, não havia os parênteses no nome. Era They Long to Be Close to You. Não causou grande impacto. Mas quando os Carpenters a regravaram sete anos mais tarde, a música tornou-se o hit que catapultou a dupla de irmãos para a fama mundial ao longo daquela década. Ficou, assim, imortalizada na voz de Karen Carpenter.



Respect
Original: Otis Redding (1965)
Regravação: Aretha Franklin (1967)
Composta, gravada e lançada por Otis Redding, a canção só virou hit dois anos depois, quando foi gravada por Aretha Franklin. O próprio Otis admitiu que não pôde mais cantar a música depois da gravação de Aretha, que se tornou hino não apenas de uma época, mas de toda a carreira da cantora. Em 1968, ela recebeu dois Grammy Awards por Respect. Os novos arranjos e a interpretação única fizeram com que a faixa fosse considerada um dos melhores vocais feminos já gravados. 



Mac Arthur Park
Original: Richard Harris (1968)
Regravação: Donna Summer (1978)
O ator e cantor Richard Harris foi o primeiro a gravá-la. No final dos anos 60, vários artistas a regravaram, mas nenhum foi tão bem sucedido quanto Donna Summer e sua versão disco da canção, lançada no auge da febre das discotecas. É sem dúvida a versão mais lembrada até hoje.
Mais detalhes aqui. 



Bette Davis Eyes
Original: Jackie DeShannon (1974)
Regravação: Kim Carnes (1981)
Composta por Donna Weiss e Jackie DeShannon e lançada por DeShannon no álbum New Arrangement (1974), a canção não causou impacto. No entanto, quando foi gravada e lançada por Kim Carnes sete anos depois, no álbum Mistaken Identity (1981), tornou-se o maior sucesso da cantora e uma das canções mais emblemáticas da década de 1980.



The Heat Is On
Original: Noosha Fox (1979)
Regravação: Agnetha Fältskog (1983) 
Composta por Florrie Palmer e Tony Ashton, a canção não emplacou quando foi lançada na voz de Noosha Fox. Quando Agnetha, ex-vocalista do ABBA, lançou The Heat Is On como um dos carros-chefe de Wrap Your Arms Around Me (1983), seu álbum solo de estreia pós-ABBA, a música fez enorme sucesso na Europa. O compacto vendeu mais até do que os do ABBA no ano anterior.

09 junho 2014

Mais água na boca. Ou não.


A segunda parte do post De dar água na boca. Ou não.
Mais seis cartões com as receitas de aparência peculiar do Weight Watchers nos anos 70, seguidos pelos comentários hilários de Wendy McClure.

(Clique nas fotos para ampliá-las)







Jean Nidetch, fundadora dos Weight Watchers, em foto dos anos 70

29 maio 2014

Videolocadoras - The End


Lendo a matéria de Thayz Guimarães na Veja Rio desta semana, sobre o fim das locadoras de vídeo, fui confrontado com o fim de uma era. Não que ainda não soubesse, claro, mas no fundo me recusava a aceitar. A extinção das locadoras é algo que bota uma pedra sobre um hábito que marcou demais minha pré-adolescência até a vida adulta.


Por mais que o VHS tenha dado lugar ao DVD e que este, por sua vez, já seja considerado ultrapassado (o Blu-Ray nem teve tempo de se popularizar por aqui!), tenho dificuldade em desapegar-me da sensação única que era entrar numa videolocadora. Havia a expectativa de encontrar o filme desejado ali. Será que ainda está alugado? Já foi devolvido? Será que já foi lançado?

Em 2008 — quando o VHS já havia sido sepultado, mas o DVD ainda tinha força aqui no Brasil — o filme Rebobine, Por Favor (Be Kind Rewind) prestou uma singela homenagem não só aos cinéfilos como também aos amantes das fitas de vídeo e locadoras. 


Uma das coisas que mais me fascinava, ainda criança, era ver aquele monte de possibilidades de "pequenas viagens" à minha disposição. Eu sabia que podia escolher as mais variadas rotas. Passear pelos corredores de uma videolocadora e percorrer as prateleiras com os diferentes gêneros era como visitar vários mundos em um só lugar. Do drama à comédia, do suspense ao terror, do musical ou documentário. Tudo era uma aventura e sempre havia uma descoberta.

Ler as sinopses na contracapa das fitas, se impressionar pelas fotos, ouvir a opinião de um atendente que dava um palpite. Ansiar pela hora de chegar em casa e poder mergulhar naquela história, bem ali na sua frente, na televisão da sala, e ainda poder reviver a sensação boa quando o filme nos conquistava. Era só rebobinar a fita. Ou, no caso do DVD, voltar ao menu e iniciar novamente.   

Algumas vezes reencontrávamos clássicos há muito esquecidos, assistidos na televisão em alguma madrugada solitária. Outras vezes íamos atrás de alguma indicação de amigo ou vizinho e nos deparávamos com filmes extremamente divertidos, ou que marcavam uma época de nossa vida. OK, muitas vezes nos deixávamos levar pela capa e quando assistíamos, o filme nem era lá essas coisas.

As facilidades do mundo moderno deixam pouco — ou nenhum — espaço para sonhos ou contemplações. As pessoas não querem mais 'perder tempo' indo até uma locadora de filmes. Elas têm tudo ao alcance do controle remoto, nos pacotes especiais de TV a cabo e na internet. Até mesmo quando se fala 'baixar um filme' hoje, já soa ultrapassado. Não se pode perder tempo nem para baixar filme! O negócio é assistir online, on demand, e depois esquecer. E que venha o próximo. E depois outro. 

Podem me chamar de saudosista. Ou de nostálgico. Mas ninguém me tira da cabeça que o prazer tornou-se menos palpável. Os consumidores mais apressados. A tecnologia mais rápida. E a memória que temos dos filmes, cada vez mais curta.

26 maio 2014

As glórias de 'Gloria'


Umberto Tozzi é um nome conhecido no mundo da música europeia, pelo menos para quem já passou dos 30. Vendeu mais de 45 milhões de álbuns e é um dos cantores/compositores italianos mais famosos de todo o mundo. (Mesmo para quem não o conhece de nome, a canção Ti amo, de 1977, é um de seus maiores sucessos, lembrado até hoje). Mas o que pouca gente sabe é que foi ele o autor do hit Gloria.


Apesar de composta e lançada em 1979 por Tozzi, a canção só ficou mundialmente famosa a partir de 1983, regravada por Laura Branigan (1957-2004) e utilizada em Flashdance - Em Ritmo de Embalo (embora não tenha entrado na trilha sonora oficial do filme).


Originalmente composta em italiano por Umberto Tozzi e Giancarlo Bigazzi e gravada pelo próprio Tozzi, a letra de Gloria era romântica e a canção fez sucesso na Europa. Chegou a ser regravada por outros artistas em várias línguas, entre elas tcheco, estoniano, sueco e francês. Mas nenhuma se compara ao sucesso da versão em inglês, gravada pela americana Laura Branigan em 1982.

A versão, escrita por Trevor Veitch (autor de alguns dos sucessos de Sheena Easton), virou hit internacional para Laura e vendeu mais de dois milhões de compactos só nos EUA. Antes de Laura, a canção já havia ganhado uma versão em inglês em 1979, lançada por Jonathan King, com letra também romântica.


Depois que a Atlantic Records engavetou o projeto do álbum que seria a estreia de Laura Branigan, o diretor da gravadora, Doug Morris, sugeriu que a cantora fizesse uma parceria com o produtor Jack White. E foi justamente ele quem sugeriu a ela gravar uma versão em inglês de Gloria. "Fiquei meio apreensiva, porque a música era muito suave e tinha uma sonoridade muito europeia", contou Laura, ao se lembrar de quando ouviu a versão de Tozzi. "Mas demos um toque americano, reescrevemos a letra e a canção decolou".


Gloria foi o carro-chefe do álbum de estreia de Laura, Branigan (1982). O remake de canção foi coproduzido por White e Greg Mathieson, que havia sido o arranjador e tecladista da versão original de Umberto Tozzi. Mathieson também foi tecladista no álbum da cantora.


Gloria é um caso típico de versão cover que fez mais sucesso que a original. Na Alemanha, por exemplo, a versão de Laura Branigan ficou em 1° lugar, enquanto a original italiana ficou em 2°.

Laura contou à revista People que ela e os produtores haviam tentado primeiro uma versão em inglês na pegada romântica da versão de Tozzi, chegando a mudar o título para Mario. Mas a tentativa não os convenceu. Laura acabou gravando uma versão em inglês de Gloria, mas reinventando a composição. Em vez de romântica, a letra se tornou uma "análise de personagem", nas palavras da cantora, "uma garota que corre mais rápido do que seus próprios passos conseguem".