16 fevereiro 2014

Quem tem medo de Jennifer Lawrence?


Quando alguém ouve falar de Jennifer Lawrence ou lê algo a seu respeito, logo vem à mente a imagem da jovem atriz que se tornou a queridinha de Hollywood. Aos 23  anos, ela recebeu sua terceira indicação ao Oscar, por Trapaça (American Hustle). Ano passado ela venceu na categoria Melhor Atriz por O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook). Este ano, na 86ª edição do Oscar, ela concorre na categoria Melhor Atriz Coadjuvante. 

Jennifer Lawrence, a nova 'queridinha' de Hollywood
Mesmo com o carisma e o bom humor que a moça esbanja, quando ouço o nome 'Jennifer Lawrence' não é a atriz que me vem à cabeça. Penso imediatamente na megera do telefilme A Iniciação de Sarah (The Initiation of Sarah, 1978), cuja fala deu origem ao nome deste blog. Vivida pela atriz Morgan Fairchild, Jennifer Lawrence era a garota má que liderava a irmandade Alpha Nu Sigma (ANS), a mais disputada e chique do campus e rival direta de Phi Epsilon Delta (PED), ou "porcos, elefantes e doninhas", reduto das alunas esquisitas e desleixadas.

Morgan Fairchild como Jennifer Lawrence em "A Iniciação de Sarah"
A Jennifer Lawrence "do mal": pérfida e canastríssima
Não deixa de ser curiosa a coincidência dos dois nomes iguais. Jennifer Lawrence (atriz) recebeu esse nome em homenagem à personagem Jennifer Lawrence? Seja como for, a Jennifer atriz é uma simpatia, ao contrário da Jennifer personagem, uma megera típica dos filmes de terror baratos (e por isso mesmo, irresistível).

A atriz Jennifer Lawrence no filme "Trapaça" (2013)

04 fevereiro 2014

Lafayette Clube


"Talvez o mais saboroso sanduíche de todos os tempos." 
(Lafayette, mordomo de Stella Simpson)

Lafayette (Edson Silva) oferece um "Lafayette Clube" para Maria Helena (Isabela Garcia)

Um sanduíche de dois andares com:
- 3 fatias de pão
- Presunto
- Queijo amassado com maionese (uma pasta)
- 2 rodelas de pepino
- 2 rodelas de tomate
- 1 ovo poché
- 1 folha de alface
- 1 fatia da salmão vermelho.
Tudo isso com uma pitada de pimenta do reino e orégano.



Nelson (Reginaldo Faria) aprova o "Lafayette Clube"
Maria Helena adora o "Lafayette Clube"

30 janeiro 2014

Síndrome de pós-Avenida Brasil


Li uma entrevista muito boa com Manoel Carlos, nas páginas amarelas da Veja desta semana (29/01/2014). Apesar de ser um admirador do trabalho do autor, não é exatamente sobre ele que vou escrever. Minha motivação foi uma das respostas que ele deu: 
"No momento, todo mundo quer aquele ritmo instantâneo de Avenida Brasil. Mas quem fez aquilo foi o João Emanuel Carneiro, um autor jovem que buscava seu jeito de fazer novela. Isso não quer dizer que eu, aos 80 anos, deva sair por aí imitando um garoto. Não vou pagar o mico de macaqueá-lo. Vou fazer do jeito que sei. É no que acredito."


Avenida Brasil foi, indiscutivelmente, uma grande novela. Daquelas que pararam o país, como há tempos não acontecia. Deu até pra relevar alguns desacertos, que não chegaram a comprometer a trama. Mas desde seu fim, cresceu a mania do público - em especial no twitter - de comparar todas as novelas com Avenida Brasil, como se, depois dela, nenhuma mais prestasse.

Radicalismos à parte, nenhuma novela está livre de deslizes. Ainda mais hoje em dia, diante do escrutínio do público, sempre com a boca no trombone nas redes sociais. Qualquer errinho mínimo se agiganta, vira piada nacional. Os tuiteiros são implacáveis e rápidos demais nos julgamentos. 

É claro que algumas telenovelas realmente não são bem sucedidas. Vão mal de Ibope, a trama apresenta furos, irregularidades, os personagens não cativam o público... Mas isso não é regra. No entanto, no twitter, tenho a impressão de que as novelas ficam quase em segundo plano, já que o foco é comentá-las (leia-se criticá-las) freneticamente. Vira uma espécie de competição para ver quem vai apontar um erro primeiro, ou quem vai fazer a piada mais rapidamente.


É comum comentar as novelas em tempo real. É quando a maioria dos tuiteiros 'comentaristas' convergem para o mesmo programa. Novela ainda é uma paixão nacional, por mais que o gênero passe por altos e baixos. Seja para aplaudir ou atirar pedras, o Brasil está sempre de olho nela. Se por um lado o público (por meio do twitter) está muito próximo de quem faz a novela (emissoras, autores, artistas) e tem a chance de expressar sua euforia pelas tramas, por outro parece que muita gente está mais preocupada em fazer comparações ou achar falhas e defeitos nas novelas.

Em Família, de Manoel Carlos, nova trama das 21h que estreia semana que vem, nem começou e já estão pipocando "críticas" no twitter. Sem terem visto ao menos um capítulo! Reclamam que vai ser mais do mesmo, que será lenta, arrastada, com os mesmos assuntos etc. Mas novela é isso: são sempre os mesmos assuntos. E cada autor tem seu estilo e sua marca. Se não gosta de determinado autor, é simples: não assista. Ou então faça críticas inteligentes e bem-humoradas. Mas ficar sempre resmungando a mesma coisa torna-se cansativo até mesmo no twitter.


Apesar de gostar muito do estilo de Manoel Carlos, suas duas últimas novelas não me empolgaram muito. Mas acho difícil julgar Em Família apenas por algumas chamadas e propagandas. Os tuiteiros parecem não querer aceitar o fato de que a nova novela NÃO será uma Avenida Brasil e nem tem obrigação de ser. Não é essa a proposta. É chata essa 'má vontade' que se instalou no público depois do fim de Avenida Brasil. E fico com a impressão de que, para os tuiteiros, nenhuma novela vai prestar depois de Avenida Brasil. O que é uma pena, pois acabam perdendo o prazer de curtir uma nova trama que, se não for sensacional, poderá ser ao menos potencialmente boa.

23 janeiro 2014

Filmes da semana (TV Programa/Jornal do Brasil)

Nesta primeira parte das sinopses de filmes da TV Programa, selecionei algumas de David França Mendes, publicadas entre 1991 e 1992.


EXPRESSO PARA O INFERNO (Runaway train) de Andrei Konshalovski. Com Jon Voigt, Eric Roberts, Rebecca de Mornay. EUA, 1985. Duração: 112m.
Ação. Prisão não é um negócio legal, certo? Mas solitária em prisão de segurança máxima no Alaska é demais. Dois presos nessas circunstâncias conseguem escapar e se metem, clandestinos, num trem de carga. Trem fora de controle é outra coisa chata, mas esse está sem maquinista (teve um enfarte) descendo as montanhas geladas a mais de 150 Km/h. A única esperança dos fugitivos é bancar os surfistas ferroviários e chegar à locomotiva antes de se espatifarem.

9 ½ SEMANAS DE AMOR (9 ½ Weeks) de Adrian Lyne. Com Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton. EUA, 1986. Duração: 113 min.
Sexo também é consumo. Kim Basinger é seduzida por Mickey Rourke. Sua paixão é furiosa, não conhece limites. Ele é chegado a umas fantasias sádicas, às quais submete a parceira. Ela não consegue resistir, mas acaba chegando o momento em que o instinto de sobrevivência fala mais alto. É isso que o filme se propõe a ser. A verdade é mais branda. Suas “perversões” não vão muito além da geladeira e da cabra-cega e quase todas poderiam ilustrar um comercial de TV um pouco mais ousado. Em todo caso, o filme é bonitinho (a Kim Basinger é um pouco mais que isso) e o casal compõe bem na tela.

A COISA (The Stuff) de Larry Cohen. Com Michael Moriarty, Andrea Marcovicci, Paul Sorvino. EUA, 1986. Diração: 93m.
Comédia. Estranha gosma branca e doce – igualzinha a marshmallow – começa a brotar da terra. Logo ela começa a ser comercializada como guloseima. A susbtância, apesar da aparência inofensiva, transforma o caráter de seus consumidores, transformando-os em pessoas sem paixões. A inspiração clara é o clássico Vampiros de almas. É boa a ideia, a realização traz a marca do melhor cinema picareta – efeitos especiais canhestros, atores limitados e careteiros, clichês aos montes – mas o filme decepciona. Em todo caso, tem fanáticos admiradores.

UM ÁLIBI PERFEITO DEMAIS (Sette volte sette) de Michelle Lupp. Com Gastone Moschin, Lionel Stander, Gordon Mitchell. Itália, 1968. Duração: 109m.
Caixinha de surpresas. Vai haver final da Copa do Mundo na Inglaterra e um grupo de presidiários arma um plano perfeito: fugir durante o jogo, fazer um grande roubo e voltar antes do fim da partida. O que poderia dar errado? Nunca se sabe.

O ALTO PREÇO DA PAIXÃO (The high price of passion) de Larry Elikan. Com Richard Crenna, Karen Young, Sean McCann. Canadá, 1986. Duração: 100m.
Drama. Produção televisiva sobre um professor que se envolve com uma prostituta. Sua paixão pela profissional do sexo vai levá-lo à decadência. Segue-se final trágico. Duração: 100m.

O TESOURO DO FUNDO DO MAR (The deep). Direção: Peter Yates. Com Robert Shaw, Jacqueline Bisset, Nick Nolte. EUA, 1977.
Suspense úmido. Adaptação de best-seller do mesmo autor de Tubarão lançada nos cinemas como O fundo do mar. Casal em lua-de-mel corre risco de vida ao se interpor entre um bando de contrabandistas e um tesouro submerso. Alguma ação bem filmada e Jacqueline Bisset. Duração: 2h.

A BATALHA DO PLANETA DOS MACACOS (Battle for the planet of the apes). Direção: J. Lee Thompson. Com Roddy McDowell. EUA, 1973.
Macacada reciclada. Quinta e última diluição do original O planeta dos macacos. Macaco falante lidera os demais primatas contra os humanos. Duração: 1h32m.

DESEJO DE MATAR 4 - OPERAÇÃO CRACKDOWN (Death wish 4 - The crackdown). Direção: J. Lee Thompson. Com Charles Bronson. EUA, 1988.
Picuinha. O homem não tem sossego. Enfastiado de justiçar bandidos, Bronson muda de cidade e se casa com uma jornalista. Mas a filha da namorada morre de overdose, o que reacende o Desejo de matar, desta vez voltado contra os crack dealers. Duração: 1h39m.

LADRÃO: QUESTÃO DE OCASIÃO (How to beat the high cost of living). Direção: Robert Scheerer. Com Susan Saint James, Jessica Lange. EUA, 1980.
Tá ruim pra todo mundo. Três jovens fúteis não suportam o fato de que estão perdendo poder aquisitivo e decidem roubar um bolo de dinheiro num shopping center. Duração: 1h44m.

IMPACTO FULMINANTE (Sudden impact). Direção: Clint Eastwood. Com Clint Eastwood. EUA, 1983.
Polícia e bandido. Um dos vários filmes da série Dirty Harry, com Eastwood resolvendo casos na base do tapa sem levar muito em consideração direitos civis e outras formalidades. Duração: 1h57m.

POR QUE EU? (Why me?). Direção: Fielder Cook. Com Glynnis O'Connor. EUA, 1983.
Dramalhão. Enfermeira da força aérea tem o rosto deformado e o casamento destruído após acidente. Duração: 1h34m.

GENTE PERFEITA (Perfect people). Direção: Bruce Seth Green. Com Lauren Hutton.
Amor e malhação. Casados há vinte anos, Ken e Barbara tentam escapar da monotonia do casamento à base de aeróbica e fisicultura. Sinal dos tempos: antigamente o usual seria a troca de casais ou compras em sex-shops. Duração: 1h34m.

OS COWBOYS (The cowboys). Direção: Mark Rydell. Com John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern. EUA, 1971.
Estatuto do menor. Deixado na mão por seus cowboys, que trocaram o trato dos bovinos pela frebre do ouro, criador recruta onze meninos, que trata com dureza, para levar seu gado ao mercado. Duração: 2h08m.

TRÊS CARTAS DE AMOR (Letters from three lovers). Direção: John Erman. Com June Allyson. EUA, 1973.
Drama postal. As vidas e os amores de um grupo de pessoas sofrendo a influência de atrasos na entrega de cartas. Duração: 1h13m.

UMA NOITE ALUCINANTE PARTE 1 (The evil dead). Direção: Sam Raimi. Com Bruce Campbell. EUA, 1983.
Horror. Alguns dos piores atores do mundo numa produção paupérrima sob a direção inspirada de um inovador do gênero, Sam Raimi. Feito com ajuda de amigos, Evil dead fez sucesso contando, com muita gosma, efeitos especiais picaretas e requintados movimentos de câmera, a história de um grupo de jovens acossado por uma força maligna. A cena da moça estuprada por raízes de árvores é obra de mestre. Duração: 1h25m.

JOGA A MAMÃE DO TREM (Throw momma from the train). Direção: Danny de Vito. Com Danny de Vito, Billy Cristal, Anne Ramsey. EUA, 1987.
Matricídio. Versão cômica de Pacto sinistro, de Hitchcock. Um homem odeia sua esposa, outro tem problemas com a mãe. Este propõe um intercâmbio de assassinatos inspirado na trama do filme de Hitchcock, que os dois admiram. Tem Billy Cristal, o chato da noite do Oscar. Duração: 1h28m.

STALLONE COBRA (Stallone Cobra). Direção: George Pan Cosmatos. Com Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen. EUA, 1986.
Pancadaria. Stallone é um tira que se arvora de grupo-de-extermínio-de-um-homem-só. Um dos seus filmes mais boçais. Duração: 1h27m.

MORTE NA AUTO-ESTRADA (Death car on the freeway). Direção: Hal Needham. Com George Hamilton. EUA, 1981.
Psicose rodoviária. Celerado motorista de furgão mata mulheres motoristas na auto-estrada. Feito para a TV. Duração: 1h30m.

A ABOMINÁVEL CRIATURA (The unnamable). Direção: Jean-Paul Ouelette. Com Charles King. Canadá, 1988.
São Tomé. Estudantes céticos decidem conferir as lendas sobre uma casa mal-assombrada onde, dizem, um homem foi mutilado e morto por horrível criatura nascida de sua própria mulher. Duração: 1h27m.

A MÃO (The hand). Direção: Oliver Stone. Com Michael Caine. EUA, 1981.
Horror. Mão decepada e perdida de cartunista acidentado sai matando gente. Ridículo. Oliver Stone é ruim e não é de hoje. Duração: 1h44m.

22 janeiro 2014

Saudade dos filmes da semana na TV Programa

No começo dos anos 1990, o Jornal do Brasil trazia como suplemento a revista TV Programa, aos sábados, com toda a programação de TV da semana. Primeiro era apenas uma seção, que vinha na tradicional revista Domingo, do JB. Depois é que virou uma segunda revista, a TV Programa, e passou para sábado. Além de entrevistas e matérias sobre novelas, cinema, música e televisão em geral, a revista funcionava como um guia de programação para o telespectador. E era ótima.


Mas nada me marcou tanto nessa revista quanto as sinopses dos filmes da semana. Eram listados com dia, horário, uma pequena ficha técnica e o resumo. A maioria dessas rápidas sinopses era cheia de ironia e humor, sempre brincando com o gênero dos filmes. Às vezes politicamente incorretas, com apenas cinco ou seis palavras as sinopses descreviam os filmes. E os gêneros não se limitavam a rótulos convencionais como apenas ‘drama’, ‘comédia’ ou ‘suspense’. Frequentemente uma frase ou palavra debochada é que definiam o gênero em questão.

Entre 1991 e 1994, eu costumava recortar várias dessas sinopses e colar todas num caderno, que funcionava como minha espécie de “guia particular de vídeo”. Esses textos curtos e bem humorados eram feitos por David França Mendes e Karla Cavalcanti (se houver algum outro desse período, por favor, me avisem).

Minha ideia aqui é reproduzir algumas dessas sinopses impagáveis, que tanto me divertiram e inspiraram durante minha adolescência, período em que eu era um compulsivo gravador de filmes da TV.

É uma pena que essa ideia do “guia de TV” esteja ultrapassada. Os canais pagos já trazem a sinopse dos filmes no próprio menu da tela. E para os filmes da TV aberta, os jornais mal trazem a programação do dia.

Se algum saudosista também se lembra das divertidas sinopses de David França Mendes ou Karla Cavalcanti para o guia de TV do Jornal do Brasil, aproveite para matar a saudade de algumas delas no próximo post.