15 julho 2014

(Re)viva os anos 70


Já faz algum tempo que os anos 70 estão de volta. Insinuando-se na música, no cinema, na TV e na moda. Desde os anos 90 que vira e mexe os 70s ressurgem. E agora, mais do que nunca. O ABBA, ícone da década de 1970, completou 40 anos neste ano e causou rebuliço na Europa, com a inuaguração do museu dedicado ao grupo. Aqui no Brasil, a TV está mais 70s do que nunca: a exibição de Dancin' Days no Canal Viva tem agitado as noites dos novos e antigos fãs da discoteca. A rede Cinemark exibiu recentemente Saturday Night Fever e Grease, para deleite do público. A Record também fez sua tentativa, com a novela Pecado Mortal, que se passou nos anos 70. E agora a Globo promete agitar o horário das 6 com Boogie Oogie, que estreia em agosto. Sem falar no remake de O Rebu, novela das 11h da noite que estreou ontem. Se você é como eu e acha que não existiu época melhor na história do que a década de 1970 (mesmo não tendo vivido nela!), radicalize e viva literalmente nos anos 70. Para isso, basta curtir a onda e transar essas dicas básicas:

1. Em primeiro lugar, assista com atenção Os Embalos de Sábado à Noite e vá treinando a coreografia de Tony Manero pra arrasar na pista;



2. Tire do fundo do baú suas meias Dancin' Days (isto é, as de seus pais ou avós);



3. Sapatos plataforma eram o máximo nos anos 70, mas cuidado: equilibrar-se neles não é muito fácil; 



4. Se você conseguir uma peruca black power pode usá-la, pois penteados afro eram o must. A escova à la Farrah Fawcett também;



5. Calças boca de sino ou pantalonas serão bem-vindas;



6. Os discos de vinil que seu tio cinquentão aposentou no fundo do armário podem servir de inspiração, ainda mais se for um dos "Fantásticos" da RCA;



7. Se quiser, leve seus patins, mas não tente dar as piruetas de Linda Blair em Roller Boogie, por motivos de precaução;



8. Humilhe Júlia Matos e saiba de cor a letra de Dancin' Days, das Frenéticas;



9. Se você tiver um iô-iô, leve na próxima festinha, mas só pra fazer tipo;



10.Para terminar, lembre-se: Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa.


07 julho 2014

Merchan Days


É comum hoje em dia, nas novelas, que os personagens façam uma (nem sempre) discreta propaganda de produtos ou serviços utilizados por eles. De refrigerante, carro, amaciante de roupa, sapato, lingerie, perfume, extrato de tomate até serviço de internet banking. O merchandising tem espaço garantido nas tramas.

Mas nos anos 1970, quando essa prática teve início, ainda de forma bem mais sutil, muitas vezes o nome da marca era apenas visto na cena. Os personagens não chegavam a citá-lo e nem a recomendá-lo verbalmente. Bastava o telespectador ver o personagem tomando uma marca de cerveja ou usando determinada marca de sandália, por exemplo, para cobiçar o produto e já entender o recado.

Nesse sentido, Dancin' Days foi, de fato, uma grande vitrine. Foi quando o consumismo ficou bem patente, estampado na ação da novela. Além dos modismos, que foram vários (penteados, maquiagem, roupas, acessórios, a própria discoteca), algumas marcas tinham espaço cativo nos letreiros de neon da discoteca que dava nome à novela: impossível não ver os nomes Orloff, Caloi e Staroup acesos na pista de dança do Dancin' Days.



A Veja de 13 de dezembro de 1978 dedicou uma matéria ("A grande vitrina"), com exclusividade, ao então recente fenômeno da publicidade inserida em Dancin' Days e também originada pela novela, direta e indiretamente:

Ao mesmo tempo que as personagens de ficção perdiam terreno, algumas outras começaram a ser introduzidas no enredo da novela. A mais bem-sucedida de todas foi, sem dúvida, a boneca "Pepa", companheira inseparável de Carminha (Pepita Rodrigues) em seus solitários monólogos sobre a vida e o amor. Antes mesmo de ir para o ar, Pepa originou um contrato entre a Rede Globo e a fábrica de brinquedos Estrela, que lançou a boneca com esse nome. E, se a sempre atarefada Carminha não ganhou muito com isso, não se pode dizer o mesmo da atriz que vive dentro dela. Pepita Rodrigues conta que tem direito a 5% das vendas da boneca Pepa, que já foram compradas em todo o país (400 mil, segundo ela) e parte agora para o lançamento de uma revista em quadrinhos com o nome da boneca, acompanhada das respectivas camisetas. (...) 
Menos retumbante foi a incursão da grã-fina Iolanda (Joana Fomm) e seu fiel mordomo Everaldo (Renato Pedrosa) pelos horários comerciais. Juntos, eles ofereceram apartamentos e pratarias aos ouvintes. Em separado, Pedrosa foi um pouco mais feliz: servindo-se de todos os tiques e manias da personagem, já ofereceu jeans e televisores e, agora, apresenta a inédita receita de polenta instantânea às suas telespectadoras/consumidoras. E Cacá (Antônio Fagundes) não fez por menos: utilizou-se de todo o seu charme de diplomata para proclamar as vantagens de uma discretíssima válvula para descarga de privada. 
Servindo de passarela a personagens que lembram modelos de publicidade, o cenário de Dancin' Days acabaria se transformando, ele também, numa espécie de vitrina - onde se reserva espaço para os luminosos de jeans e vodca durante os travolteios numa discoteca, que mostra  os últimos modelos de mesas de som. (...)

Por outro lado, paródias e piadas também foram feitas por revistas como a Mad e a Pancada (espécie de 'irmã' da Mad, ambas muito parecidas). E assim o merchadising popularizou-se de vez na teledramaturgia brasileira.

Carminha (Pepita Rodrigues) e sua Pepa

A colônia oficial da novela, by Elizabeth Arden





Edição especial da revista Rock Espetacular inteiramente dedicada à novela

E não é que em 1999 -  20 anos após ter sido exibida - a identidade visual da novela ainda permanecia forte? Essa bem bolada propaganda do Itaú é mais uma prova do poder de Dancin' Days na publicidade:


01 julho 2014

10 covers que superam os originais - Parte 2


A continuação do post anterior, sobre músicas que, ao serem gravadas/lançadas não fizeram sucesso e, quando regravadas e relançadas por outros artistas, lideraram as paradas.


Tainted Love
Original: Gloria Jones (1965)
Regravação: Soft Cell (1981)
A cantora americana Gloria Jones gravou a versão original da canção para o lado B do compacto My Bad Boy’s Comin’ Home. A faixa foi um fiasco em termos comerciais, mas tornou-se cult no circuito underground de nightclubs britânicos, no final dos anos 70 (mais de uma década depois de ter sido lançada!). O duo inglês Soft Cell, de synth-pop, regravou uma versão moderna de Tainted Love em 1981. O sucesso, instantâneo, garantiu o 1° lugar da parada em oito países. Muitos pensam até que ela foi composta nos anos 80, pois tornou-se  hit emblemático daquela década.




The Tide is High
Original: The Paragons (1967)
Regravação: Blondie (1980)  
The Paragons era uma banda jamaicana de ska e rocksteady (estilo musical da Jamaica, algo entre o reggae e ao ska), com vocais harmônicos influenciados por grupos de soul e rythm & blues americanos. Em 1967, lançaram o compacto The Tide is High, composto por um dos membros do grupo, John Holt. Treze anos depois, Chris Stein, guitarrista do Blondie, descobriu a faixa em uma coletânea de reggae que havia comprado na Inglaterra. O Blondie a regravou para ser incluída no álbum Autoamerican. A canção se tornou o segundo compacto do Blondie a alcançar o 1° lugar das paradas e virou um dos grandes hits do grupo. 




If I Can't Have You 
Original:  Bee Gees (1977)
Regravação: Yvonne Elliman (1977)
Composta por Barry, Robin e Maurice Gibb - os Bee Gees - para a trilha sonora de Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever), acabou sendo o lado B do compacto Stayin' Alive. A versão usada no filme, entretanto, não foi a dos Bee Gees e sim a gravada por Yvonne Elliman. Tornou-se o maior sucesso da cantora. Lançado no comecinho de 1978, If I Can't Have You foi o quarto compacto extraído da trilha de Saturday Night Fever e o primeiro que não era cantado pelos Bee Gees. Tornou-se o quarto hit do filme a emplacar o topo das paradas. A faixa foi incluída também no álbum de Yvonne, Night Flight, lançado na mesma época.




Girls Just Want to Have Fun
Original: Robert Hazard (1979)
Regravação: Cyndi Lauper (1983) 
Robert Hazard compôs e gravou a canção. A ideia era lançá-la com sua banda, Robert Hazard and the Heroes. Por algum motivo, a composição acabou esquecida e nem chegou a ser lançada. Até que, quatro anos depois, enquanto o produtor Rick Chertoff estava à procura de material para o álbum de estreia de Cyndi Lauper, She's So Unusual, esbarrou na canção e apostou em seu potencial de sucesso. Os três se encontraram e Hazard concordou em permitir um ajuste na letra (que havia sido escrita de uma perspectiva masculina) para se encaixar na interpretação de Lauper. Vitou o maior hit da cantora.




Don't Turn Around 
Original: Tina Turner (1986)
Regravação: Ace of Base (1994) 
A canção foi composta por Diane Warren e Albert Hammond e gravada por Tina Turner. Warren, no entanto, ficou desapontada quando sua composição foi usada como reles lado B do compacto Typical Male, sem nem sequer entrar no álbum Break Every Rule, lançado por Tina Turner naquele ano. Apesar de regravada depois por vários artistas, nenhum obteve o sucesso que os suecos do Ace of Base conseguiram com a versão de 1994 de Don't Turn Around, que se tornou um dos maiores hits do grupo.



27 junho 2014

10 covers que superam os originais - Parte 1

Algumas músicas fazem tanto sucesso e tornam-se tão emblemáticas que fica difícil dissociá-las dos cantores/grupos que deram voz a elas. Mas muitos desses hits foram compostos e até lançados bem antes de estourarem nas paradas de sucesso. Nem sempre a primeira gravação de uma canção consegue emplacar. No entanto, quando regravadas e interpretadas por outros artistas, a canção pode virar uma verdadeira máquina de sucesso. É o caso dessas 10 músicas que selecionei. Aqui vai a primeira parte:

(They Long to Be) Close To You
Original: Richard Chamberlain (1963)
Regravação: The Carpenters (1970)
Uma das composições mais conhecidas e famosas de Burt Bacharach e Hal David. O primeiro a gravá-la foi o ator Richard Chamberlain, famoso por séries clássicas da TV como Dr. Kildare (1961-66), Shogun (1980) e Pássaros Feridos (1983), além de filmes como O Conde de Monte Cristo (1975) e O Homem da Máscara de Ferro (1977). Quando foi lançada em compacto por Chamberlain, não havia os parênteses no nome. Era They Long to Be Close to You. Não causou grande impacto. Mas quando os Carpenters a regravaram sete anos mais tarde, a música tornou-se o hit que catapultou a dupla de irmãos para a fama mundial ao longo daquela década. Ficou, assim, imortalizada na voz de Karen Carpenter.



Respect
Original: Otis Redding (1965)
Regravação: Aretha Franklin (1967)
Composta, gravada e lançada por Otis Redding, a canção só virou hit dois anos depois, quando foi gravada por Aretha Franklin. O próprio Otis admitiu que não pôde mais cantar a música depois da gravação de Aretha, que se tornou hino não apenas de uma época, mas de toda a carreira da cantora. Em 1968, ela recebeu dois Grammy Awards por Respect. Os novos arranjos e a interpretação única fizeram com que a faixa fosse considerada um dos melhores vocais feminos já gravados. 



Mac Arthur Park
Original: Richard Harris (1968)
Regravação: Donna Summer (1978)
O ator e cantor Richard Harris foi o primeiro a gravá-la. No final dos anos 60, vários artistas a regravaram, mas nenhum foi tão bem sucedido quanto Donna Summer e sua versão disco da canção, lançada no auge da febre das discotecas. É sem dúvida a versão mais lembrada até hoje.
Mais detalhes aqui



Bette Davis Eyes
Original: Jackie DeShannon (1974)
Regravação: Kim Carnes (1981)
Composta por Donna Weiss e Jackie DeShannon e lançada por DeShannon no álbum New Arrangement (1974), a canção não causou impacto. No entanto, quando foi gravada e lançada por Kim Carnes sete anos depois, no álbum Mistaken Identity (1981), tornou-se o maior sucesso da cantora e uma das canções mais emblemáticas da década de 1980.



The Heat Is On
Original: Noosha Fox (1979)
Regravação: Agnetha Fältskog (1983) 
Composta por Florrie Palmer e Tony Ashton, a canção não emplacou quando foi lançada na voz de Noosha Fox. Quando Agnetha, ex-vocalista do ABBA, lançou The Heat Is On como um dos carros-chefe de Wrap Your Arms Around Me (1983), seu álbum solo de estreia pós-ABBA, a música fez enorme sucesso na Europa. O compacto vendeu mais até do que os do ABBA no ano anterior.

09 junho 2014

Mais água na boca. Ou não.


A segunda parte do post De dar água na boca. Ou não.
Mais seis cartões com as receitas de aparência peculiar do Weight Watchers nos anos 70, seguidos pelos comentários hilários de Wendy McClure.

(Clique nas fotos para ampliá-las)







Jean Nidetch, fundadora dos Weight Watchers, em foto dos anos 70