27 novembro 2020

Não Tenha Medo da Escuridão (Don't Be Afraid of the Dark, 1973)

Telefilmesquecidos #27

Alex (Jim Hutton) e Sally Farnham (Kim Darby) acabam de herdar a velha casa da avó de Sally. Embora Alex preferisse morar em um apartamento, acaba concordando com a esposa e se mudando. O lugar é encantador, mas a mansão, muito antiga, está deteriorada e precisa de algumas reformas e retoques. Até aí, tudo bem.

Sally se sente especialmente atraída por um ambiente isolado da casa, que possui uma lareira fechada, monitorada pelo caseiro Harris (William Demarest). A moça cisma de abrir a tal lareira e, sem saber, liberta pequenos e bizarros seres, pouco menores que anões, de feições monstruosas, que passam a coabitar o ambiente. É quando Sally começa a ouvir vozes estranhas, que a chamam, vindas não se sabe de onde. Seria alucinação? Ou a casa escondia, de fato, algo sombrio? O marido, é claro, não acredita em nada daquilo e acha que a esposa está simplesmente tendo ataques neuróticos.


Se a ideia de pequenas e ameaçadoras criaturas espreitando no escuro, atrás de uma porta ou de um canto qualquer da casa, é algo que assusta as crianças até hoje, imagine nos anos 1970! Elas ficavam, realmente, amedrontadas pelo filme.

Naquela época, várias produções feitas para a TV davam medo no telespectador. Talvez porque as restrições do formato televisivo — tanto de recursos a serem utilizados na produção quanto de conteúdo que poderia ser veiculado abertamente — forçassem os diretores a se concentrarem mais na atmosfera e no suspense do que em efeitos especiais realistas e impressionantes. E era justamente essa atmosfera obscura que garantia os sustos, mesmo sem os complexos efeitos especiais de hoje.


Por isso não é de se estranhar que um filme modesto e despretensioso como Não Tenha Medo da Escuridão tenha se tornado cult: embora não seja um grande filme, é assustador e estranho o suficiente para se cristalizar na memória coletiva do público. Uma história de terror simples e efetiva. Mesmo assim, visto hoje, este telefilme provavelmente fique aquém da expectativa do público atual. Segundo Marcelo Milici, do site Boca do Inferno, "o longa faz parte daquelas produções que davam medo na infância e hoje só trazem bocejos."



No ano anterior, o diretor John Newland havia sido responsável por outro telefilme sombrio que marcou época: Um Hóspede Muito Estranho (Crawlspace, 1972). Não Tenha Medo da Escuridão foi um dos filmes mais rápidos já feitos para a televisão. O tempo total de filmagem, incluindo a aprovação do roteiro, elenco, efeitos especiais, narração e tomadas externas foi pouco mais de duas semanas.

Nos EUA, estreou em 10 de outubro de 1973, pelo canal ABC. No Brasil, foi exibido pela primeira vez na Globo, em 2 de novembro de 1975. Os críticos dos jornais brasileiros não demonstraram empolgação na ocasião em que o filme estreou na Globo: "Os comentários de fora aludem ao desperdício de uma ideia inicial curiosa. Quem quiser conferir..." (Jornal do Brasil). Ou ainda: "Boa premissa na história, arruinada por um argumento indiferente", disse um crítico americano. (Folha de S. Paulo)

Nos anos 1980, foi lançado pela Herbert Richers em VHS aqui no Brasil, com o título Criaturas da Noite


Em 2010, foi feito um remake australiano para o cinema. O telefilme original serviu de inspiração para o diretor e roteirista Guillermo del Toro, conhecido pelo gênero do fantástico. Del Toro havia adquirido os direitos sobre o texto original no começo dos anos 1990 e levou quase duas décadas para adaptar o roteiro. Mas não assumiu a direção, que ficou a cargo de Troy Nixey. Estrelado por Katie Holmes e Guy Pearce, o longa estreou nos cinemas em 2012.

20 novembro 2020

Cama Ardente (The Burning Bed, 1984)

Telefilmesquecidos #26

Baseado na história verídica de Francine Hughes — acusada de assassinar o marido em 9 de março de 1977, em Dansville, Michigan — este corajoso e elogiado telefilme apresenta um olhar sombrio e ousado sobre a violência doméstica e suas consequências.

Acompanhamos a narrativa de Francine Hughes, que começa em sua adolescência e detalha seu namoro e subsequente casamento com Mickey Hughes, passando pela deterioração de seu relacionamento, os anos de abusos, violência e espancamento impostos pelo marido, até o assassinato e o julgamento que se seguiu.

Farrah Fawcett como Francine
Farrah Fawcett e Paul LeMat

O caso criou um precedente legal de como outros casos de violência doméstica deveriam ser tratados no futuro. Marcou também o começo de uma lenta e gradual mudança de pensamento e atitude em relação à negligência da sociedade e da justiça no que dizia respeito à violência doméstica sofrida pelas mulheres. 

O filme baseou-se no livro homônimo de não-ficção, The Burning Bed, de Faith McNulty, lançado em 1980, sobre Francine Hughes, a dona de casa maltratada e constantemente espancada, que um dia não aguentou mais e pôs fogo na cama em que o marido dormia. A adaptação para a TV foi escrita por Rose Leiman Goldemberg. A trama segue o julgamento de Francine pelo assassinato de Mickey, ato que cometeu depois de de treze anos de violência doméstica constante.

A protagonista aqui é Farrah Fawcett, e ela carrega o filme inteiro nos ombros, durante toda a jornada de sofrimento e abuso sofrida pela personagem. Mesmo se tratando de um filme feito para a TV, a abordagem adotada é admiravelmente realista e o desempenho de Farrah muito autêntico. É possível perceber o amor intenso que ela tem pelos filhos e até pelo marido abusivo, mas também a dor profunda e a necessidade desesperada de escapar daquele tipo de vida.

Conforme o filme avança, a atuação de Farrah também deixa claro que as experiências vividas pela personagem a modificaram em muitos níveis, o que não é tarefa fácil para uma atriz. Em nenhum momento ela cai no dramalhão ou nas interpretações exageradas ou estereotipadas.


O resto do elenco também é forte, com destaque para Paul LeMat no papel do marido abusivo, Grace Zabriskie (a mãe de Laura Palmer em Twin Peaks) como sua mãe, e Richard Masur como o promotor do caso. Mas quem comanda o show é mesmo Farrah. 

Grace Zabriskie

Por mais que filmes para televisão sejam comumente considerados "peças menores" de cinema, Cama Ardente é um exemplo de que essa suposição é um tanto quanto rançosa. O crítico de televisão Matt Zoller Seitz, em seu livro  TV (The Book), de 2016, co-escrito com Alan Sepinwall, nomeou Cama Ardente como o 7º maior filme de TV americano de todos os tempos: "Foi um marco em termos de conteúdo, retratando a violência doméstica como um horror inegável e uma violação dos direitos humanos". Seitz também elogiou o desempenho de Fawcett como "um dos melhores da história dos filmes de TV".

Farrah foi indicada ao Emmy e ao Globo de Ouro de Melhor Atriz. Paul Le Mat levou o Golden Globe de Melhor Ator Coadjuvante e o filme recebeu várias indicações ao Emmy e a diversos outros prêmios.

A verdadeira Francine Hughes refez sua vida e se casou com Robert Wilson em 1980, tornando-se Francine Hughes Wilson. O segundo marido faleceu em 2015. Francine morreu em 2017, aos 59 anos, no Alabama. 



Dirigido por Robert Greenwald (o mesmo de Xanadu), Cama Ardente estreou na TV americana em 8 de outubro de 1984, pela NBC. Alcançou a 4ª maior audiência em telefilmes nos EUA até então, com 36,2 pontos. No Brasil, foi ao ar pela primeira vez em 7 de outubro de 1988, no SBT. Como era tradição na emissora de Silvio Santos, o locutor carregou no sensacionalismo do anúncio: "O SBT tem o orgulho de apresentar um filme importante e polêmico, feito para a nossa época. Cama Ardente, com Farrah Fawcett, no papel mais importante de sua carreira".


Lançado em VHS no Brasil pela California Home Video.

13 novembro 2020

Lágrimas para os Estranhos (Cry for the Strangers, 1982)

Telefilmesquecidos #25

O psiquiatra Brad Russell (Patrick Duffy) e sua esposa Elaine (Cindy Pickett) se mudam para uma pequena cidade costeira e descobrem que algo está matando pessoas. Essas mortes, aparentemente sem conexão entre si, acontecem em noites escuras de tempestade. Mas o alvo é sempre direcionado aos recém-chegados à cidadezinha.

Após poucos dias morando na tal lugarejo, Brad encontra seu ex-paciente, o menino Robby (Shawn Carson), cuja família havia se mudado para o local há algum tempo. O garoto parece ter uma ligação com o mundo do sobrenatural e pode ser a chave para as mortes misteriosas envolvendo as pessoas de fora.

Shawn Carson

As sequências com nuvens carregadas, raios e trovoadas, no começo do filme, prometem uma atmosfera sombria. Mas tornam-se repetitivas ao longo do filme, que vai caindo na mesmice. Junte-se a isso fantasmas indígenas, melodrama não convincente, falta de sutileza e uma série de clichês. Nem o galã Patrick Duffy — na época, no auge do sucesso como o Bobby da novela Dallas — conseguiu salvar o filme.

Patrick Duffy e Cindy Pickett

Patrick Duffy

Robin Ignico, a garotinha que interpreta a irmã de Robby, também estava no elenco de outro telefilme que havia estreado na TV americana na noite anterior: Não Adormeça (Don't Go to Sleep).

Robin Ignico

O diretor, Peter Medak — responsável pelo ótimo A Troca (The Changeling, 1979) — não foi muito feliz com a direção de Lágrimas para os Estranhos. O mistério, que tanto prometia, é todo solucionado nos cinco minutos finais do longa, de forma apressada.

O filme foi inspirado no livro homônimo de John Saul, autor americano de romances de suspense e terror, uma espécie de Stephen King de menor alcance. Apesar do sucesso de seus livros (a maioria apareceu na lista de mais vendidos do New York Times), Saul permanece desconhecido fora dos Estados Unidos. O livro Cry for the Strangers (1979), no qual o telefilme se inspirou, foi publicado no Brasil pela editora Record, com o título Chorai Pelos Estranhos. Ideias um tanto quanto complexas para serem condensadas em um telefilme, mas que funcionam muito bem no livro de Saul e garantem o clima de mistério (ao contrário do filme).

Nos EUA, estreou em 11 de dezembro de 1982, pela CBS, na clássica sessão CBS Saturday Night Movie. Aqui no no Brasil, ganhou a primeira exibição em 13 de outubro de 1984, na Globo.

06 novembro 2020

Problemas Suburbanos (The Grass Is Always Greener Over the Septic Tank, 1978)

Telefilmesquecidos #24

Depois de sofrer um assalto, o casal Dorothy (Carol Burnett) e Jim Benson (Charles Grodin) decide tirar sua família da cidade grande e experimentar a vida longe da agitação dos grandes centros. Mudam-se, então, de mala e cuia para um pacato e arejado subúrbio. O filme é basicamente isso, recheado, é claro, com o drama familiar típico da classe média americana, mas pelo viés do humor. 

Burnett e Grodin estão muito bem como o casal de Nova York em ascensão, que se muda com os dois filhos adolescentes para o subúrbio. O que se segue são desastres domésticos, problemas de deslocamento, pequenas intrigas e fofocas de vizinhança. Grodin, como sempre, é o amável, ocupado e levemente neurótico marido — papel parecido com o que interpretou depois em A Incrível Mulher que Encolheu (The Incredible Shrinking Woman, 1981). Mas o filme é mesmo de Carol Burnett, que, sempre acima da média, eleva o material às vezes irregular e compensa o filme. Ela é uma dona de casa que busca realizar seus sonhos íntimos, como aprimorar os estudos, escrever profissionalmente, publicar um romance, enfim, reservar uma parte de seu dia para si própria, o que parece impossível, dada a quantidade de tarefas diárias que ela precisa executar como esposa e mãe.


Charles Grodin e Carol Burnett

Aos que, porventura, não saibam: "subúrbio", neste caso, tem uma ideia bem diferente da que conhecemos no Brasil. Nos Estados Unidos, essa palavra define uma área de classe média, bem organizada e planejada, mais ou menos como se fosse um “condomínio gigante de classe média”. Não tem nada a ver com o conceito de subúrbio que temos aqui no Brasil (lugar geralmente pobre, depreciado e decadente). Trata-se dos arredores da cidade, com casas boas, confortáveis, longe do comércio e do burburinho da metrópole.

O filme é baseado nos textos da colunista e humorista Erma Bombeck, mais especificamente em seu bem-sucedido livro A Grama Sempre Cresce Mais Verde em Cima da Fossa (1976), publicado pela McGraw-Hill. No Brasil, foi publicado pela editora Record. Um retrato fiel da vida suburbana norte-americana dos anos 1970. O título original do telefilme (simplificado, no Brasil, para Problemas Suburbanos) é um trocadilho com um ditado muito comum: "Grass is greener on the other side", que, em uma tradução livre, seria algo como "a grama do vizinho é sempre mais verde". Uma referência à nossa eterna tendência a achar a vida dos outros melhor ou mais atraente que a nossa. O título original, "Grass is greener over the septic tank" ("a grama é mais verde sobre a fossa séptica") brinca com essa ideia, sugerindo que, se você pensa que a vida do outro parece maravilhosa ou ideal, então tem alguma coisa podre ali debaixo daquela fachada de aparente perfeição. A grama pode ser verde e linda, mas sob ela está a caixa de esgoto, não se esqueçam.


Carol Burnett

Apesar de não muito conhecida aqui no Brasil, Erma Bombeck (1927-1996) alcançou grande popularidade nos EUA, por sua coluna de humor em jornais, de 1965 a 1996, descrevendo a vida doméstica suburbana dos norte-americanos. Também publicou 15 livros, a maioria best-sellers.

Estreia de Eric Stoltz, que viveria, alguns anos depois, filho de Cher em Marcas do Destino (Mask, 1982). O ator também é conhecido por filmes como Picardias Estudantis (Fast Times at Ridgemont High, 1982), Alguém Muito Especial (Some Kind of Wonderful, 1987) e Pulp Fiction: Tempo de Violência (Pulp Fiction, 1994), entre outros. 

Eric Stoltz

Linda Gray faz uma rápida participação como Leslie, vizinha do casal Benson. Para quem não está ligando o nome à pessoa, Linda era a Sue Ellen da novela Dallas (1978-1991), que havia estreado naquele mesmo ano, mas já era um grande sucesso.


Problemas Suburbanos
estreou nos EUA em 25 de outubro de 1978, pela CBS. Na TV brasileira, foi exibido pela primeira vez em 16 de outubro de 1982, na Globo.


*     *     *


Obrigado ao amigo Lufe Steffen pela indicação do filme! :-)

17 julho 2020

6 (bons) telefilmes de suspense lançados em vídeo no Brasil


Para começo de conversa, o "bons" no título está entre parênteses por se tratar de algo altamente subjetivo. Porém, estes seis telefilmes que selecionei são, de fato, muito bons na minha  opinião. Todos foram produzidos originalmente para a TV, mas ganharam lançamentos em vídeo posteriormente. Todos eles foram também feitos ao longo da década de 1980 e comecinho da de 1990, época em que as fitas e locadoras de vídeo viviam seu auge. Apostando nisso, os produtores não se restringiram às exibições na TV e disponibilizaram os telefilmes em VHS. Àquela altura, o fato de serem filmes feitos para a TV (e, por isso, quase sempre considerados inferiores) não pesava. Até porque a maneira de se produzir filmes para a TV havia evoluído consideravelmente a partir da década de 1980 e, em muitos casos, nem tinham tanta cara de telefilmes. Aqui vai meu Top 6 de suspenses para a TV lançados também em vídeo:


Não Adormeça (Don’t Go to Sleep, 1982) 
Estreia na TV americana: 10 de dezembro de 1982 (ABC)
Estreia na TV brasileira: 25 de maio de 1985 (Globo)
Distribuição em vídeo: Warner Home Video
Direção: Richard Lang
Com Dennis Weaver, Valerie Harper, Robin Ignico, Ruth Gordon


Durante acidente, uma família consegue sair do carro a tempo, exceto Jennifer, a filha mais velha. O irmão havia amarrado os cadarços da menina enquanto ela dormia, e a outra irmã fechara a porta de veículo. Após a tragédia, a família se muda para um bairro afastado. Estranhos incidentes começam a acontecer na nova residência. Para aumentar a tensão familiar, a avó das crianças também vai morar com eles. No caso deste filme, quanto menos você souber, melhor (embora existam pencas de textos e informações online). O ideal é assisti-lo sem ter lido muito sobre ele antes. Fuja de spoilers! Aqui no Brasil, Não Adormeça ficou conhecido e cultuado após as inúmeras reprises nas madrugadas da TV nos anos 1980. Várias cenas marcantes. Ganhou novo fôlego ao ser lançado em VHS. Era figurinha fácil nas prateleiras das videolocadoras. Hoje a fita é considerada uma raridade entre os colecionadores. No elenco, Dennis Weaver e Valerie Harper eram dois rostos mais do que habituais na TV americana. O bônus é por conta de Ruth Gordon, sempre ótima. Oliver Robins, o irmão de Carol Anne em Poltergeist - O Fenômeno (Poltergeist, 1982) também vive aqui o irmãozinho da protagonista. (Poltergeist havia sido lançado cinco meses antes). 




Blackout (Blackout, 1985) 
Estreia na TV americana: 28 de julho de 1985 (HBO)
Estreia na TV brasileira: 27 de abril de 1991 (Globo)
Distribuição em vídeo: VIC Video
Direção: Douglas Hickox
Com Keith Carradine, Kathleen Quinlan, Richard Widmark, Michael Beck


Detetive veterano da polícia suspeita que um corretor de imóveis local, Allen Devlin — que passou por uma reconstrução facial completa após um acidente de carro, no qual também perdeu a memória — pode ser o homem que, anos antes, matou brutalmente esposa e filhos anos antes. Depois do acidente, Devlin recomeçou a vida e casou-se com a enfermeira que o ajudou durante sua recuperação, mas continua sem se lembrar do passado. Muito suspense e pistas falsas (ou verdadeiras?) neste thriller feito para a TV a cabo. Era presença quase obrigatória em toda videolocadora que se prezasse. E era uma das capas que mais me assustava (o olhar por trás da máscara de couro me dava arrepios). Foi bastante reprisado pela Globo ao longo da década de 1990. Na França, Blackout chegou a ser lançado até nos cinemas. Kathleen Quinlan era presença constante em telefilmes e séries. O bônus aqui é o lendário Richard Widmark, indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Beijo da Morte (Kiss of Death, 1947) e que ostentou uma prolífica carreira em Hollywood. E para quem não ligou o nome à pessoa, Michael Beck é o par patinador de Olivia Newton-John em Xanadu.




O Aniquilador (Annihilator, 1986)
Estreia na TV americana: 7 de abril de 1986 (NBC)
Estreia na TV brasileira: 15 de setembro de 1990 (Globo)
Distribuição em vídeo: CIC Video
Direção: Michael Chapman
Com Mark Lindsay Chapman, Susan Blakely, Catherine Mary Stewart, Lisa Blount 


O jornalista Robert Armour estranha o comportamento atípico e meio bizarro da sua namorada depois que ela volta do Havaí, para onde viajou com uma amiga, após ganhar um sorteio. Robert descobre que sua namorada não é mais a mesma de antes da viagem. Mas então quem (ou o que) é aquela? Ele precisa descobrir enquanto tenta salvar a própria pele. Aparentemente, os passageiros do tal vôo para o Havaí foram substituídos por humanóides assassinos, meio máquinas, meio humanos, comandados por alienígenas. Enquanto investiga o que aconteceu na viagem, o jornalista é atacado por outros humanóides, chamados de "dinamitados". Mistura de ficção científica e horror, O Aniquilador foi, na verdade, o piloto de uma série de TV que não chegou a ser desenvolvida. Mas o filme concorreu ao Emmy de melhor maquiagem para série de TV da temporada de 1985-86. Uma pena que o projeto da série tenha sido abandonado. Em vez disso, o filme foi lançado em vídeo e ganhou sobrevida nas locadoras mundo afora. A capa me assustava bastante, razão pela qual levei algum tempo para alugá-lo. Mas foi amor à primeira assistida. O Aniquilador deixa muitas perguntas sem resposta, mas ainda assim prende a atenção.




Eu Vi o que Você Fez e Eu Sei Quem Você é (I Saw What You Did, 1988)
Estreia na TV americana: 20 de maio de 1988 (CBS)
Estreia na TV brasileira:10 de novembro de 1993 (SBT)
Distribuição em vídeo: CIC Video
Direção: Fred Walton
Com Shawnee Smith, Tammy Lauren, Candace Cameron Bure, Robert Carradine


Duas amigas estão pernoitando numa fazenda isolada. Como brincadeira, começam a passar trotes telefônicos para pessoas aleatórias, usando a frase "eu vi o que você fez... e eu sei quem você é". Mas uma dessas ligações cai justamente na casa de um maníaco, que passa a persegui-las. Refilmagem para a TV de Eu Vi que Foi Você (I Saw What You Did, 1965), de William Castle, um filme bem fraquinho que, apesar de ter sido lançado dando destaque ao nome de Joan Crawford, contou apenas com uma brevíssima participação da atriz (menos de 10 minutos), na época já vivendo o declínio de sua carreira. Esta versão de 1988 é um dos poucos casos em que o remake, mesmo sendo para a TV, dá de 10 a 0. Muito lembrado até hoje, não só foi bastante reprisado na televisão brasileira como também marcou época nas prateleiras de suspense das videolocadoras. Para quem achou a garotinha Candace Cameron familiar, ela é uma das três filhas do seriado Três é Demais (exibido pela Globo no final dos anos 1980 e pelo SBT na primeira metade da década de 2000). O elenco conta com dois irmãos Carradine: Robert e David. O diretor é o mesmo de Mensageiro da Morte (When a Stranger Calls, 1979) e A Noite das Brincadeiras Mortais (April Fool’s Day, 1986).




Sepultado Vivo / Morto, Mas Nem Tanto (Buried Alive, 1990)
Estreia na TV americana: 9 de maio de 1990 (USA Network)
Estreia na TV brasileira: 1º de dezembro de 1993 (SBT)
Distribuição em vídeo: CIC Video
Direção: Frank Darabont
Com Tim Matheson, Jennifer Jason Leigh, William Atherton


Dado como morto, homem é enterrado vivo, mas consegue escapar. Parece muito absurdo? Mas a coisa piora: o ex-defunto descobre que sua adorável e apaixonada esposa planejou tudo com o amante. Refilmagem para a TV de Obsessão Macabra (Premature Burial, 1962), de Roger Corman, inspirado na obra de Edgar Allan Poe. O elenco é bom e sustenta a história impressionante. Mas a modernização da trama eliminou a atmosfera sombria, peculiar às adaptações de Poe. No entanto, isso não elimina o suspense crescente e a tensão. O curioso é que um outro filme com o mesmo nome (Buried Alive) — também inspirado em Edgar Allan Poe — foi lançado no mesmo ano, com direção de Gerard Kikoine. O título em português foi Enterrado Vivo. Mas não se trata de um telefilme. A confusão aumenta por causa da semelhança com o título Sepultado Vivo, lançado em vídeo aqui no Brasil com o inusitado nome Morto, Mas Nem Tanto.



Retorno Insólito / A Psicose de Mark (The Stranger Within, 1990)
Estreia na TV americana: 27 de novembro de 1990
Estreia na TV brasileira: 15 de dezembro de 1993 (Globo)
Distribuição em vídeo: Vídeo Ban
Direção: Tom Holland
Com Ricky Schroder, Kate Jackson, Chris Sarandon


O filho de três anos da viúva de um veterano da Guerra da Coréia desaparece e nunca mais é encontrado. Até que, 16 anos depois, um jovem aparece misteriosamente na cidade rural onde a viúva mora com o atual marido. O rapaz afirma que é o filho desaparecido. Desconfiada no começo, ela não acredita que possa ser ele. Mas rapidamente o jovem ganha sua confiança, pois sabe muitos detalhes que só mesmo seu filho poderia saber. O suspense prende e o elenco ajuda. Kate Jackson, a eterna Sabrina do seriado As Panteras, vive a mãe do rapaz, interpretado por Rick Schroder — o garotinho que fez o mundo verter lágrimas com O Campeão (The Champ, 1979). E Chris Sarandon vive o marido de Kate Jackson. O diretor Tom Holland, com experiência no campo do suspense/terror, já havia trabalhado com Sarandon em A Hora do Espanto (Fright Night, 1985) e Brinquedo Assassino (Child's Play, 1988). Retorno Insólito é hoje um telefilme raro e pouco lembrado. Mesmo tendo sido lançado em vídeo (rebatizado de A Psicose de Mark), a fita também é raridade entre colecionadores de VHS.