Vamos Cantar Disco Baby (1979)


As gerações mais jovens consideram Cinderela Baiana (1998), com Carla Perez, o suprassumo da celebração kitsch e (deliciosamente) canastrona, em termos de cinema nacional. Uma verdadeira fonte de piadas e brincadeiras, no que diz respeito a diálogos infantis e atuações risíveis. Isso porque não viram o obscuro e esquecido Vamos Cantar Disco Baby (1979), produzido duas décadas antes e dirigido pelo tarimbado J.B. Tanko. As estrelas do filme? O trio infantojuvenil As Melindrosas e… Gretchen. Sim, ela própria, a rainha dos memes. Símbolo sexual e ícone dos anos 1980 — além de querida por marmanjos e crianças da época — a dona de um dos bumbuns mais famosos do Brasil se reinventou depois do inesperado sucesso nas redes sociais.



Quando participou do reality show A Fazenda, da Record, em 2012, sua carreira estava prestes a desaparecer. Até que os internautas começaram a usar cenas do programa para criar gifs animados, que se espalharam feito rastilho de pólvora pelo Brasil. Os gifs viraram febre na internet, garantindo uma prolífica sobrevida artística à cantora e tornando sua imagem conhecidíssima entre adolescentes e jovens da atualidade. Mas pouquíssimas pessoas sabem que sua estreia no cinema foi justamente neste filme infantil Vamos Cantar Disco Baby.

Gretchen no reality show A Fazenda (2012)
Gretchen rende não apenas um post, mas centenas deles. Aqui, ela não é o foco do assunto, mas merece destaque justamente por ter se tornado (novamente) uma “celebridade” refabricada pelas redes sociais. Tanto que hoje ela é conhecida não só como a “rainha dos memes” como também “rainha da internet”, dentro e fora do Brasil. Nada mal para quem já reinou como “rainha do bumbum”. (Para detalhes sobre a vida pessoal e a carreira de Gretchen, é só fazer uma busca no Google e descobrir centenas de milhares de informações e notícias, incluindo algumas polêmicas — que, por sinal, nunca abalaram seu carisma).

My Name is Gretchen (1979), disco de estreia de Gretchen
Voltemos agora ao tema da postagem. Mas antes é preciso retroceder um pouquinho mais. Calma, vocês vão entender. Em 1978, o produtor Jorge Gambier emplacou o LP Disco Baby, que trazia cantigas de roda gravadas em estilo discotheque. A disco music vivia seu auge e o LP obteve enorme sucesso. A surpresa foi considerável até para Gambier, que não esperava tamanha popularidade do pot-pourri de cantigas de roda com batida disco. Gravado por cantoras de estúdio desconhecidas, o álbum foi creditado a um suposto grupo chamado As Melindrosas, que não existia na prática. O inesperado sucesso chamou a atenção pela primeira vez para o mercado musical infantil no Brasil. Com isso, As Melindrosas precisavam ter uma imagem e "existir" de fato.



Então foram recrutadas as irmãs Maria Odete e Suely, a prima Paula e a amiga Yara, todas adolescentes. Elas dariam cara ao grupo. Alguns meses depois do lançamento de Disco Baby, Maria Odete resolveu alçar voo solo e tornou-se Gretchen. O ex-quarteto virou, então, um trio, com Suely (que futuramente se tornaria Sula Miranda), Paula e Yara.


Com a exibição do clipe no Fantástico, ainda em 1978, o LP alcançou a marca de um milhão de cópias vendidas e recebeu nota até na Billboard, a bíblia americana da música. O trio passou a se apresentar em programas de auditório na TV e a fazer shows pelo Brasil, com bastante popularidade. Disco Baby vendeu feito água. Foi o primeiro LP que ganhei na vida, logo que nasci, em 1979. Minha mãe o comprara ainda grávida. E eu o guardo até hoje, mesmo meio detonado.


O sucesso possibilitou ao trio estrelar o filme Vamos Cantar Disco Baby (também lançado com o título alternativo É Proibido Beijar As Melindrosas), em 1979. Para a direção, entrou em campo o cineasta J. B. Tanko, que entre os anos 1950 e 1980 dirigiu muitos dramas, filmes policiais e infantis, incluindo vários dos Trapalhões como O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), Os Saltimbancos Trapalhões (1981) e Os Fantasmas Trapalhões (1987), entre muitos outros.


Visto hoje, Vamos Cantar Disco Baby parece extremamente amadorístico, improvisado e tão apressado quanto a efemeridade da disco music, aqui direcionada para o público infantojuvenil. Muitas cenas aleatórias recheiam o filme, e a edição parece ter sido feita às cegas. Vamos ao enredo: o Orfanato Santa Cecília está à beira da falência e 150 crianças vão perder seu lar. Entre elas, as "Melindrosas" Lila (Suely), Nininha (Yara) e Perereca (Paula). A fazenda onde fica o orfanato, cercada por uma floresta, irá a leilão se não tiver seus impostos pagos no prazo de 30 dias. A diretora da instituição (interpretada pela divertidíssima Suzy Arruda) e as meninas internas procuram um jeito de salvar o orfanato da ganância do inescrupuloso Sérgio Pancada (Jorge Cherques), que pretende botar tudo abaixo e construir vários edifícios no local. Pancada é o dono de uma grande imobiliária local.

Duas "melindrosas", as pobres meninas do orfanato

Raul (Ricardo Hermanny)
A Irmã Diretora do orfanato (Suzy Arruda)
"A ganância de uns poucos vai provocar um drama na vida destas pobres e indefesas crianças", informa o repórter e mocinho (?) da história, Raul (Ricardo Hermanny). "Vão destruir esta mansão, devastar esta floresta da fazenda para implantarem mais uma selva de pedra e concreto", conclui ele, na fala mais dramática do filme.

Sérgio Pancada (Jorge Cherques)
Na floresta vive uma velha, espécie de benfeitora das crianças (apesar de sua aparência um tanto quanto assustadora). Uma das garotas vai saltitante visitar a velhinha. Um primor de diálogo: "Vovozinha, vovozinha! Coitada da senhora... Tem uma vida muito dura". Ao que a velha responde: "Minha filha, a floresta me dá tudo que preciso". E a garota profetiza: "É... Até que eles acabem com ela."

A velha da floresta aconselha uma das "melindrosas"

Mas a floresta também é habitada por seres que a protegem. Bonecos toscos que fazem as vezes de “bons espíritos das matas” (e não menos assustadores do que a própria velhinha). A velha oferece às três meninas (que se tornarão As Melindrosas) do orfanato o dom de cantar e atrair multidões. Mas não sem antes fazer a pergunta que não quer calar: elas estariam dispostas a fazer um sacrifício? “Os espíritos da floresta vão legar um poder extraordinário a vocês", explica a velha, em um português impecável. "Vocês cantando vão conquistar todo mundo e ganhar muuuito dinheiro. Mas tem uma condição: é uma antiga lei escrita nos livros de Cabala. Vocês não poderão beijar nenhum rapaz, senão perdem a voz."

Os "espíritos da floresta"


As espevitadas Melindrosas ficam reticentes e acham o preço alto demais, mas acabam aceitando, já que aquela parece ser a única maneira de salvar o mundo (oops, a floresta e o orfanato). Com o dinheiro que ganharem, elas poderão tirar o orfanato da falência e seguir felizes. Com a ajuda do repórter Raul e da assistente social Gretchen (isso mesmo, Gretchen faz sua estreia no cinema como uma bem comportada assistente social, chamada Gretchen), as meninas começam a fazer sucesso.


A zelosa assistente social Gretchen

A Irmã Diretora do orfanato fica orgulhosa com o empenho das três meninas: "As forças divinas deram às vozes delas o poder carismático de conquistar qualquer um". Quem não gosta nada disso é o ambicioso Sérgio Pancada, que vê ameaçadas suas pretensões imobiliárias. Ajudado por Tufik (Roberto Azevedo), seu atrapalhado assessor e pau-mandado, Pancada e sua diretoria fazem de tudo para arruinar o sucesso do trio de meninas nas rádios e discotecas do país. Tufik, constantemente humilhado pelo patrão e chamado de idiota e analfabeto ("Analfabeto não. Eu não fiz vestibular porque quebrei o pé no curso primário. Por isso não pude andar pra frente, Seu Pancada") vai colocar em prática as artimanhas para acabar com As Melindrosas.

Tufik (Roberto Azevedo)
Será que as meninas resistirão à promessa que fizeram à velha da floresta? A Irmã Diretora espera que sim: "Todas as noites eu rezo a Santa Cecília para que dê a elas a força necessária de resistir à tentação, que é tão grande hoje em dia"... E que tentação! O filho de Pancada, Serginho (Arlindo Barreto) resolve colaborar com o pai e seqüestra As Melindrosas durante um show numa discoteca, às vésperas do leilão. Mas ao conhecer Lila (Suely, ou Sula Miranda, como preferirem), ele se apaixona e muda o rumo dos acontecimentos.

Serginho (Arlindo Barreto)
Seu Pacada com o assistente Tufik (centro) e o filho Serginho
Para quem não ligou o nome à pessoa, Serginho é interpretado por Arlindo Barreto. Ele mesmo, o mais carismático palhaço Bozo do SBT, nos anos 1980. Filho da atriz Márcia de Windsor, Barreto inspirou o filme Bingo – O Rei das Manhãs (2017), de Daniel Rezende. O ator já havia feito algumas pornochanchadas quando participou de Vamos Cantar Disco Baby, mas ainda não era conhecido na época. Mais uma das pitorescas curiosidades do longa. Imaginem o rebu que não causaria hoje um filme infantil que tivesse no elenco Gretchen e Arlindo Barreto! Com a patrulha vigente nos dias atuais, algo assim seria impensável. Mas não deixa de ser interessante olhar para aquele tempo no qual a inocência, de certa forma, suplantava a malícia. Querem mais uma prova? O filme ainda tem participação especial de Genival Lacerda, que canta para as crianças seu indefectível hit Severina Xique Xique (Ele tá de Olho é na Butique Dela). Vamos Cantar Disco Baby deveria ganhar edição restaurada e de luxo em DVD. As novas gerações que acham que já viram de tudo precisam assistir a esta pérola do cinema infantojuvenil nacional.

Trilha sonora do filme
À época de sua estreia, o filme ganhou até menção na Folha de S. Paulo, em matéria ("Os filmes nacionais invadem a praça") de Orlando L. Fassoni, publicada em 17 de setembro de 1979:

A garotada, com certeza, terá do diretor J. B. Tanko outra diversão. Tanko passou alguns anos fazendo a série de fitas com Os Trapalhões e, agora, encampa as possibilidades de audiência do trio feminino As Melindrosas, Suely, Yara e Paula, que parecem faturar bem com o chamado "disco baby", ou seja, músicas infantis do folclore nacional cantadas ao ritmo discoteca.
Como Tanko é especialista nesse gênero, bastou substituir Os Trapalhões pelas garotas e inventar a história ingênua sobre a situação difícil de um orfanato, corrigida quando Lila, Nininha e Perereca, meninas cantoras, fazem sucesso e garantem o dinheiro para a subsistência da entidade.”

Mas a Folha não deixou de dar uma ligeira malhada no filme, em uma crítica publicada na edição de 1º de outubro de 1979: “(...) O atual Vamos Cantar Disco Baby cheira mesmo é a boa picaretagem: pegaram o cancioneiro brasileiro infantil e atacaram em ritmo de discoteca. Isso é uma violentação que não podera ficar impune, mas as inocentes e simpaticas Melindrosas parecem não ter nada a ver com a farsa, inclusive porque, como dubladoras, elas são ótimas."

Sim, é uma boa picaretagem e — por mais redundante que pareça — a picaretagem aqui é mesmo boa no bom sentido. Um nonsense infantil que mistura cantigas de roda em ritmo de disco music, pobres garotas de um orfanato ameaçado que se tornam estrelas mirins das discotecas, vilões mais atrapalhados que personagens de desenho animado, Arlindo Barreto como um playboy benfeitor e Gretchen como uma singela assistente social. Esta salada não pode ser menos do que imperdível. (Sem mencionar o fato de a velha da floresta, aquela figura estranhíssima, aparecer em plena discoteca sempre que o perigo se aproxima das Melindrosas). Nem os avanços da tecnologia atual ou uma viagem lisérgica teria produzido algo tão deliciosamente louco.

A velha da floresta, uma espécie de "mestre dos magos" tupiniquim





Em determinada cena, As Melindrosas são raptadas a mando de Pancada e aprisionadas em uma espécie de gruta. Sem parecer se importar, elas cantam e dançam alegremente, contagiando até o peão capanga com suas irresistíveis cantigas de roda em ritmo discotheque.


O capanga se empolga com a disco music infantil das Melindrosas

A Irmã Diretora do orfanato convence Gretchen a cantar para as criancinhas
Em um período de dois anos, Disco Baby já havia vendido quatro milhões de cópias, segundo o produtor Jorge Gambier. Mas neste período, a carreira solo de Gretchen já estava a todo vapor. As Melindrosas encerraram suas atividades como trio em 1982, após terem lançado alguns LPs e compactos. Suely tornou-se Sula Miranda e ficou conhecida, a partir do final da década de 1980, como a "rainha dos caminhoneiros", cantando música sertaneja e rodando o Brasil, com bastante sucesso. Quanto às outras duas Melindrosas, Yara tentou carreira solo nos anos 1990 e Paula tornou-se dona de restaurante. Em 2015, Gretchen, Sula e Yara reviveram o grupo no quadro Dança Gatinho, do programa de Rodrigo Faro na Record, com direito a reconstituição de coreografia e tudo.


As Melindrosas em 1981
Gretchen e a irmã Sula Miranda revivem As Melindrosas (2015) 

Gente (The People, 1972)


Telefilmesquecidos #4

"Gente"
A jovem professora Melodye Amerson (Kim Darby) vai para Bendo, um vilarejo remoto nos confins da Califórnia, trabalhar com um grupo de pessoas que se isolaram da civilização. Melodye será a professora das crianças do tal lugar, cujos habitantes vivem em uma espécie de comunidade independente, mais ou menos nos moldes dos Amish (grupo religioso conhecido por seus costumes conservadores).


A moça fica intrigada com o comportamento misterioso de seus alunos. Eles parecem frios, distantes, austeros. Todas as atividades, brincadeiras ou jogos que ela propõe às crianças são proibidos. Por que a alegria, a música e as brincadeiras não são bem vistos em Bendo? Valancy (Diane Varsi), uma espécie de guia da comunidade, aconselha Melodye a permanecer lá assim mesmo, pois ela sente que as coisas estão prestes a mudar no vilarejo. E a jovem professorinha, segundo Valancy, é parte da mudança. 



A premissa soa mais bizarra que a história em si. O filme é agradável de se assistir, em grande parte devido às performances convincentes de Kim Darby no papel da professorinha obstinada e William Shatner como Dr. Curtis, o médico do lugarejo. Pode-se dizer que se trata de ficção científica, embora não no sentido mais corriqueiro (robôs, naves espaciais, histórias futuristas ou alienígenas gosmentos). 


The People baseia-se em alguns contos de Zenna Henderson (1917 – 1983), escritora americana de ficção científica e fantasia. Em muitas de suas histórias, o ato de ser diferente e os riscos que isso pode acarretar são temas recorrentes. O filme contém elementos de vários contos da autora, que compõem a série The People

O filme foi ao ar pela rede ABC, em 22 de janeiro de 1972, mais um dos vários produzidos especialmente para o Movie of the Week. Foi a estréia de John Korty na direção. (Ele dirigiu dezenas de filmes feitos para a TV, além do enfadonho A História de Oliver). The People foi produzido por Francis Ford Coppola, ainda antes de seu nome ganhar fama internacional. No Brasil, o filme foi muito reprisado nas madrugadas dos anos 1970.


Os contos da série The People, de Zenna Henderson, foram publicados em diversas antologias ao longo das décadas de 1960 e 1970. Em 1995, graças aos esforços da New England Science Fiction Association, foram finalmente reunidos em um só livro, Ingathering: The complete People stories.


As Cartas (The Letters, 1973)


Telefilmesquecidos #3

"As Cartas"
“Um carteiro normalmente entrega 1100 cartas por dias. Elas vêm em todas as formas e tamanhos, na maioria contas — pelo menos é o que as pessoas dizem. Mas quando você para e pensa sobre o assunto, não há nada mais importante do que o que você recebe em sua correspondência diária. Cartas sobre nascimentos e mortes, cartas cheias de alegria ou desespero. A vida de todo um microcosmo pelo simples preço de um selo”. Assim um simpático carteiro (Henry Jones) começa o filme, falando diretamente para a câmera, enquanto segue seu percurso na entrega das cartas.

Ele prossegue: “Você já parou para pensar em como tudo seria se não existisse correspondência? Ou se cartas escritas nunca tivessem sido enviadas? Ou se avisos urgentes fossem entregues tardiamente? Assustador, não? Pode acreditar. Isso poderia mudar as vidas de todas as pessoas envolvidas. E foi o que aconteceu. Certa vez, três cartas foram entregues com um ano de atraso. Isso mesmo. Mudou as vidas de todo mundo.”

Esta é a premissa deste singelo porém interessante telefilme que foi ao ar em 6 de março de 1973. Mais uma atraente produção Spelling-Goldberg para a série semanal de filmes Movie of the Week, do canal ABC.

Lesley Ann Warren e John Forsythe

Jane Powell e John Forsythe
São três histórias independentes. A primeira, dirigida por Gene Nelson, é sobre Paul Anderson (John Forsythe), um homem de meia-idade que viaja com a jovem amante Laura (Lesley Ann Warren). A esposa e os filhos (ainda crianças) pensam que ele viajou a trabalho, mas na verdade ele pretende não voltar mais para casa e fugir com a amante. Na viagem, entretanto, ele se dá conta de que a vida com a amante não é exatamente um mar-de-rosas. As diferenças começam a pesar na relação dos dois. Ele percebe que, na verdade, sente falta da família. Rompe com a Laura e decide voltar para seu lar.

Leslie Nielsen e Barbara Stanwyck

Dina Merrill e Leslie Nielsen
Na segunda história, dirigida por Paul Krasny, a milionária Geraldine Parkington (Barbara Stanwyck) é uma megera que tem uma relação difícil com a irmã, a doce Penelope (Dina Merrill), de quem sente inveja. A grande preocupação de Geraldine é proteger a fortuna da família, já que restaram apenas ela e a irmã. Penelope começa a namorar o ambicioso pianista Derek Childs (Leslie Nielsen), mas Geraldine o seduz e trata de tirá-lo imediatamente da irmã.

Ida Lupino e Ben Murphy

Ida Lupino e Pamela Franklin
A terceira história, também dirigida por Paul Krasny, é sobre Karen (Pamela Franklin), uma moça que namora Joe (Ben Murphy), um rapaz pobre. Os dois estão apaixonados, mas a Sra. Forrester (Ida Lupino), mãe da mocinha, é contra o relacionamento. Ela alega que o rapaz não passa de um oportunista, além de não ter condições de dar a Karen uma vida digna. Por meio de uma chantagem, a Sra.Forrester afasta Joe de sua filha. Mas Karen descobre-se grávida após o rompimento do namoro. Acaba tendo o filho sozinha, com a ajuda da mãe. Mas é infeliz por ter sido abandonada por Joe e não se interessa pela criança.

Em todas os três segmentos, três cartas poderiam mudar drasticamente o curso das histórias. Mas quando um avião dos Correios contendo o lote com essas cartas sofre um acidente, o serviço é interrompido e as cartas se perdem. Os três remetentes, cada um de uma história, ficam sem saber o que aconteceu com os destinatários que deveriam ter demonstrado alguma reação ao recebê-las. Sem ter ideia do ocorrido, os remetentes continuam suas vidas. Um ano depois, o malote com as correspondências é encontrado e recuperado no local onde o avião havia caído. As cartas são finalmente entregues. No entanto, o atraso de um ano pode complicar demais as vidas dos destinatários e dos remetentes que protagonizam os três episódios do filme.

O carteiro (Henry Jones)
O argumento de As Cartas seria impensável nos dias de hoje, em que a maioria da correspondência e da comunicação se dá por meios eletrônicos e com impressionante rapidez. Mas o filme revela-se extremamente interessante, apesar de seus dramas aparentemente banais. É muito curioso observar como o atraso na entrega das cartas de cada história foi capaz de causar grandes reviravoltas. O filme teve uma sequência no mesmo ano, Três Cartas de Amor (Letters from Three Lovers), dirigida por  John Erman.

Outra curiosidade é ver reunidas, já em fase madura, várias estrelas da época de ouro de Hollywood, como John Forsythe, Jane Powell, Barbara Stanwyck e Ida Lupino, juntos em um teledrama. Sem contar Leslie Nielsen, quando ainda fazia "papéis sérios", muito antes de se tornar rei das paródias. 

John Forsythe e Barbara Stanwyck