Férias Mortais (Home for the Holidays, 1972)


Telefilmesquecidos #1

"Férias Mortais"
Véspera de Natal. Em meio à chuva incessante, relâmpagos, raios e trovoadas cortam o céu. Benjamin Morgan (Walter Brennan), o patriarca de uma família, decide reunir suas quatro filhas, afastadas há muito tempo, em sua idílica mansão. Alex (Eleanor Parker), Joanna (Jill Haworth), Frederica (Jessica Walter) e a caçula Christine (Sally Field) reencontram-se na casa do pai, ainda que a contragosto, para aquele fatídico Natal. 

O convite, na verdade, é uma tentativa de Benjamin de reaproximar-se de sua família e reparar os erros do passado. Mas as irmãs não se mostram muito entusiasmadas com a ideia. O motivo? Elas culpam o pai pelo suicídio da mãe. Antigos dramas e ressentimentos virão à tona, claro.



Mas o pai está morrendo. A filha mais velha, Alex, encontrou um bilhete no qual o velho alega estar sendo envenenado por sua atual esposa, Elizabeth (Julie Harris). A notícia cai como uma bomba entre as irmãs. Por isso o pai instrui as filhas a “se livrarem” de Elizabeth (cujo primeiro marido morrera envenenado). Tem início o mistério. Assim que as irmãs começam a tentar processar as desconcertantes informações, um assassino usando capa de chuva e empunhando um ancinho começa a aterrorizar a mansão e a fazer vítimas.


Esta foi mais uma produção de Aaron Spelling e Leonard Goldberg para o popular Movie of the Week, da rede ABC (American Broadcasting Company). De 1969 a 1975, a emissora exibia semanalmente um filme feito exclusivamente para o canal, em geral com duração entre 70 e 80 minutos. Férias Mortais foi ao ar em 28 de novembro de 1972, dirigido por John Llewellyn Moxey, guru dos telefilmes de suspense e terror. O roteiro é de Joseph Stefano (famoso por ter roteirizado também Psicose). Moxey construiu uma prolífica carreira de diretor de thrillers para a TV. Aqui no Brasil, o filme foi muito reprisado nas madrugadas da Globo e, depois, em outros canais.


A década de 1970 foi o período de ouro dos filmes feitos para a TV nos EUA. O fenômeno, encabeçado justamente pelo Movie of the Week da ABC, rendeu clássicos cujo sucesso foi além das telas de televisão. Vários se tornaram mundialmente famosos como Encurralado (Duel, 1971), de Steven Spielberg, Glória e Derrota (Brian's Song, 1971), de Buzz Kulik, Criaturas da Noite (Don’t Be Afraid of the Dark, 1973) de John Newland, e Trilogia de Terror (Trilogy of Terror, 1975), de Dan Curtis, só para citar alguns.



Férias Mortais tem o tipo de gancho que prende o telespectador logo no começo. Obviamente o público sabe que o assassino está ali, mas fica esperando a reviravolta que irá revelá-lo. No entanto, nem só de clichês o filme é feito. A atmosfera é interessante e convidativa, apesar do ritmo um pouco mais lento — típico dos telefilmes da época — além de ser uma espécie de “slasher” (muito antes de o gênero se popularizar) em versão light. O elenco de prestígio garante atuações convincentes. Outro diferencial é que, apesar de ser Natal, não há neve e sim chuva. Devido às limitações de tempo na agenda de gravações e ao orçamento modesto, tornou-se inviável recriar neve. A escolha menos difícil para aumentar o clima de mistério foi a chuva, efeito obtido com a ajuda de uma mangueira de incêndio (por isso o céu aparece claro em algumas cenas externas, mesmo em meio à “chuva” constante).


Não confundir com a comédia de nome Home for the Holidays (no Brasil, Feriados em Família), de 1995 e dirigida por Jodie Foster.

Nenhum comentário:

Postar um comentário