As Cartas (The Letters, 1973)


Telefilmesquecidos #3

"As Cartas"
“Um carteiro normalmente entrega 1100 cartas por dias. Elas vêm em todas as formas e tamanhos, na maioria contas — pelo menos é o que as pessoas dizem. Mas quando você para e pensa sobre o assunto, não há nada mais importante do que o que você recebe em sua correspondência diária. Cartas sobre nascimentos e mortes, cartas cheias de alegria ou desespero. A vida de todo um microcosmo pelo simples preço de um selo”. Assim um simpático carteiro (Henry Jones) começa o filme, falando diretamente para a câmera, enquanto segue seu percurso na entrega das cartas.

Ele prossegue: “Você já parou para pensar em como tudo seria se não existisse correspondência? Ou se cartas escritas nunca tivessem sido enviadas? Ou se avisos urgentes fossem entregues tardiamente? Assustador, não? Pode acreditar. Isso poderia mudar as vidas de todas as pessoas envolvidas. E foi o que aconteceu. Certa vez, três cartas foram entregues com um ano de atraso. Isso mesmo. Mudou as vidas de todo mundo.”

Esta é a premissa deste singelo porém interessante telefilme que foi ao ar em 6 de março de 1973. Mais uma atraente produção Spelling-Goldberg para a série semanal de filmes Movie of the Week, do canal ABC.

Lesley Ann Warren e John Forsythe

Jane Powell e John Forsythe
São três histórias independentes. A primeira, dirigida por Gene Nelson, é sobre Paul Anderson (John Forsythe), um homem de meia-idade que viaja com a jovem amante Laura (Lesley Ann Warren). A esposa e os filhos (ainda crianças) pensam que ele viajou a trabalho, mas na verdade ele pretende não voltar mais para casa e fugir com a amante. Na viagem, entretanto, ele se dá conta de que a vida com a amante não é exatamente um mar-de-rosas. As diferenças começam a pesar na relação dos dois. Ele percebe que, na verdade, sente falta da família. Rompe com a Laura e decide voltar para seu lar.

Leslie Nielsen e Barbara Stanwyck

Dina Merrill e Leslie Nielsen
Na segunda história, dirigida por Paul Krasny, a milionária Geraldine Parkington (Barbara Stanwyck) é uma megera que tem uma relação difícil com a irmã, a doce Penelope (Dina Merrill), de quem sente inveja. A grande preocupação de Geraldine é proteger a fortuna da família, já que restaram apenas ela e a irmã. Penelope começa a namorar o ambicioso pianista Derek Childs (Leslie Nielsen), mas Geraldine o seduz e trata de tirá-lo imediatamente da irmã.

Ida Lupino e Ben Murphy

Ida Lupino e Pamela Franklin
A terceira história, também dirigida por Paul Krasny, é sobre Karen (Pamela Franklin), uma moça que namora Joe (Ben Murphy), um rapaz pobre. Os dois estão apaixonados, mas a Sra. Forrester (Ida Lupino), mãe da mocinha, é contra o relacionamento. Ela alega que o rapaz não passa de um oportunista, além de não ter condições de dar a Karen uma vida digna. Por meio de uma chantagem, a Sra.Forrester afasta Joe de sua filha. Mas Karen descobre-se grávida após o rompimento do namoro. Acaba tendo o filho sozinha, com a ajuda da mãe. Mas é infeliz por ter sido abandonada por Joe e não se interessa pela criança.

Em todas os três segmentos, três cartas poderiam mudar drasticamente o curso das histórias. Mas quando um avião dos Correios contendo o lote com essas cartas sofre um acidente, o serviço é interrompido e as cartas se perdem. Os três remetentes, cada um de uma história, ficam sem saber o que aconteceu com os destinatários que deveriam ter demonstrado alguma reação ao recebê-las. Sem ter ideia do ocorrido, os remetentes continuam suas vidas. Um ano depois, o malote com as correspondências é encontrado e recuperado no local onde o avião havia caído. As cartas são finalmente entregues. No entanto, o atraso de um ano pode complicar demais as vidas dos destinatários e dos remetentes que protagonizam os três episódios do filme.

O carteiro (Henry Jones)
O argumento de As Cartas seria impensável nos dias de hoje, em que a maioria da correspondência e da comunicação se dá por meios eletrônicos e com impressionante rapidez. Mas o filme revela-se extremamente interessante, apesar de seus dramas aparentemente banais. É muito curioso observar como o atraso na entrega das cartas de cada história foi capaz de causar grandes reviravoltas. O filme teve uma sequência no mesmo ano, Três Cartas de Amor (Letters from Three Lovers), dirigida por  John Erman.

Outra curiosidade é ver reunidas, já em fase madura, várias estrelas da época de ouro de Hollywood, como John Forsythe, Jane Powell, Barbara Stanwyck e Ida Lupino, juntos em um teledrama. Sem contar Leslie Nielsen, quando ainda fazia "papéis sérios", muito antes de se tornar rei das paródias. 

John Forsythe e Barbara Stanwyck

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