Ilha da fantasia (só que não)


Esse é um daqueles irresistíveis telefilmes desbotados das madrugadas. Antro de Milionários (Haunts of the Very Rich) estreou na tevê americana em setembro de 1972 e foi bastante reprisado ao longo daquela década. Aqui no Brasil, foi exibido pela Globo durante os anos 1970 também. Mas faz tempo que caiu no esquecimento. Felizmente, graças ao YouTube, é possível desenterrar esses pequenos tesouros obscuros.

Os veteranos Lloyd Bridges e Cloris Leachman encabeçam o elenco, que conta também com figurinhas fáceis das produções televisivas americanas como Tony Bill, Robert Reed e Donna Mills.

Os filmes para a tevê, sobre os quais falo aqui no blog com frequência, já estão em desuso há alguns anos. Mas na década de 1960 e principalmente na de 1970, quando ABC, CBS e NBC — as três grandes emissoras de tevê americanas da época — começaram a produzir seus próprios filmes para esse público caseiro, os telefilmes tinham enorme audiência e repercussão. Não eram muito longos e eram bem mais baratos. Podiam ser vistos no horário nobre e, geralmente, duravam no máximo 90 minutos. Com isso, os canais não ficavam presos aos grandes estúdios de Hollywood.


Em Antro de Milionários, um grupo de turistas grã-finos voam para um misterioso resort paradisíaco, o Portals of Eden. Recebidos por Seacrist (Moses Gunn), espécie de mordomo e anfitrião, os ricos visitantes passam o tempo relaxando e sendo paparicados no referido paraíso tropical. Mas após a primeira noite, uma grande tempestade deixa os hóspedes isolados na ilha onde se situa o hotel, sem energia elétrica e sem comunicação com o mundo externo. Para piorar, a equipe de funcionários do resort — formada por nativos da própria ilha — também desaparece, deixando os visitantes abandonados à própria sorte, cheios de mistérios e perguntas sem resposta. Logo se dão conta de que podem estar muito perto da morte e precisam se organizar para pensar em um meio de buscar socorro. A comida está estragando, a água potável acabando e as tensões crescem entre os hóspedes, assim como as suspeitas mútuas.




Nesse contexto, os problemas de cada um começam a emergir. Dave Woodrough (Lloyd Bridges), por exemplo, é um mulherengo de meia-idade, à procura de mais uma conquista. O alvo escolhido dessa vez foi Ellen Blunt (Cloris Leachman) solteirona carente e preocupada com a própria aparência. O reverendo John Fellows (Robert Reed) é um homem atormentado por conflitos em sua espiritualidade e fé. Annette Larrier (Anne Francis) é uma esposa infeliz, viciada em antidepressivos e estimulantes. Al Hunsicker (Edward Asner) tem um passado duvidoso e por aí vai. No decorrer da história, também ficamos sabendo que cada um dos "convidados", direta ou indiretamente, escapou da morte por pouco. Coincidência?

O reverendo John Fellows (Robert Reed)
Cloris Leachman e Lloyd Bridges
Paul Wendkos (1925-2009) era um exímio diretor de séries de tevê (Havaí 5-0, Dr. Kildare, Os Intocáveis, entre muitas outras) e um dos pioneiros a fazer carreira na direção de telefilmes. No cinema, dirigiu, entre outros, Balada Para Satã (The Mephisto Waltz, 1971), estrelado por Alan Alda e Jacqueline Bisset. 

Antro de Milionários não chega a ser um clássico dos telefilmes, mas tem uma premissa interessante e atuações convincentes, além de similaridades com a série Lost (2004-2010). A história hoje pode estar meio batida, mas não deixa de ser divertido assistir a um telefilme simples, capaz de prender o telespectador em um clima de medo e espanto até o final surpreendente.


Um filme recente, já nos circuitos fechados da TV. Trata-se da história de sete pessoas em férias, numa ilha tropical, e o comportamento que cada um assume quando as situações começam a ser marcadas pela violência. (Folha de S. Paulo, 24/07/1974) 
Teledrama do tarimbado Wendkos. Ação ambientada num "idílico refúgio tropical", com pessoas vendo seu sonho se transformar  em pesadelo. (Folha de S. Paulo, 02/03/1979)



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