Telefilmesquecidos #79
“Em algum momento em um futuro não muito distante”. Este é o aviso que abre o telefilme e parece nos preparar para algo possivelmente assustador.
O jovem casal Allen (Michael Cole) e Karen (Janet Margolin), cujo primeiro filho morreu apenas 15 dias após o nascimento, está esperando um novo filho. O problema é que eles precisam fugir das autoridades quando ela se recusa a submeter-se a um aborto obrigatório por lei.
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Janet Margolin e Michael Cole |
O que acontece é o seguinte: o “futuro não muito distante” ao qual o filme se refere é o ano de 1994. E nesse futuro é ilegal ter mais de um bebê, devido à superpopulação.
A crise populacional resultou em leis extremamente radicais. Além de nenhum casal poder ter mais de um filho, ninguém com mais de 65 anos pode receber qualquer tratamento médico, exceto o mais superficial.
Por isso o casal desafia a lei e tenta ter um segundo bebê. Barstow (Edward Asner), o agente de controle populacional, vai persegui-los implacavelmente.
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Edward Asner |
Nessa corrida pela vida do filho prestes a nascer, Allen e Karen planejam escapar para o Canadá, mas encontram a fronteira fechada. É quando recebem ajuda inesperada de Quincy George (Van Heflin), senador aposentado dos EUA que se opôs às Leis de Controle Populacional. Ele dá abrigo ao casal, mesmo correndo grande risco, e usa sua influência política para tentar bloquear a perseguição de Barstow.
O elenco é bom, com destaque para o vilão interpretado por Ed Asner. Mais conhecido do público norte-americano pelo seriado Mary Tyler Moore (1970-1977), o ator participou de inúmeros filmes para o cinema e para a TV, como Antro de Milionários (Haunts of the Very Rich, 1972) e Um Grito de Morte (Death Scream, 1975), além de diversos seriados. Asner também fez a voz do personagem principal da animação Up - Altas Aventuras (Up, 2009).
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Van Heflin |
Último filme de Van Heflin, um dos atores mais versáteis da Era de Ouro de Hollywood e ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1942 por Estrada Proibida (Johnny Eager, 1941). Também ficou muito conhecido por Os Brutos Também Amam (Shane, 1953) e muitos outros sucessos.
John Llewellyn Moxey, um dos mais prolíficos diretores de filmes para a TV, faz jus ao profissionalismo atribuído a ele.
Peter S. Fischer, que mais tarde tornou-se um escritor e produtor de TV de sucesso, fez sua estreia como roteirista de televisão em A Última Criança.
Michael McKenna, em seu livro The ABC Movie of the Week: Big Movies for the Small Screen (2013), explica que "A Última Criança foi um subproduto de um ponto de vista cultural e acadêmico crescente, argumentando que o planeta e seus habitantes enfrentariam a extinção inevitável se os controles populacionais globais não fossem decretados. O trabalho mais conhecido, se não infame, foi o best-seller de Paul Erlich, The Population Bomb (1968). Houve também uma série de programas de TV e filmes para o cinema apresentando o tema da superpopulação, incluindo um episódio muito semelhante do programa Stage 67 (1966), da ABC, e longas-metragens como No Mundo de 2020 (Soylent Green, 1973) e Fuga no Século 23 (Logan's Run, 1976)."
Embora o futuro superpovoado de A Última Criança não tenha se concretizado, o filme pinta um quadro sombrio de um mundo onde as mulheres não têm controle sobre seus corpos e o controle do governo é quase absoluto, além de limitar os cuidados com os idosos.
Estreou na TV americana em 5 de outubro de 1971, na ABC. Aqui no Brasil, a estreia na TV foi em 7 de junho de 1973, na Globo.
Não confundir com A Última Criança (Last Child), filme coreano de 2017 sem qualquer relação com o telefilme.
Mais um resgate interessante! Parabéns, Daniel!
ResponderExcluirValeu pela força, Valdemar! Apareça sempre!
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