07 setembro 2015

Enrola e desenrola


"Se você escolher lutar, vire para a página 21.
Se escolher blefar, página 32 então."

"Se concordar com Simone, volta à página 4.
Se preferir o plano de Raoul, volte à 6."

"Se você tira fotos, tire na página 92.
Se recua para dentro do bosque, embrenhe-se na página 94."

São decisões aparentemente simples, mas que podem levar o rumo da história para os mais diversos caminhos. Alguns até catastróficos. Mas todos extremamente divertidos. Assim eram os gamebooks da série Enrola e Desenrola. A coleção, publicada no Brasil pela Ediouro (a mesma que publica as palavras cruzadas Coquetel), atravessou toda a década de 1980 e foi muito popular até meados dos anos 90.


Era um novo gênero de livros infanto-juvenis e um novo tipo de estrutura narrativa, que estimulava a imaginação dos jovens leitores e os instigava a querer ler mais e mais, já que eles tinham um certo controle das histórias. E como elas tinham dezenas de finais diferentes, lia-se o livro várias vezes para ver o que aconteceria se uma decisão tivesse sido tomada no lugar de outras.


Com a colaboração de tradutores gabaritados como Orígenes Lessa (um dos imortais da Academia Brasileira de Letras), a Ediouro começou a publicar a coleção Enrola e Desenrola no Brasil. A coleção original, Choose Your Own Adventure, americana, era publicada pela Bantam Books (hoje pertencente à Random House). Esses livros foram os precursores dos RPGs, mas com a diferença de não dependerem de outros participantes para o "jogo".



Cada livro tinha um tema principal: uma casa mal-assombrada, um passeio no deserto, espionagem de guerra, uma viagem espacial etc. As histórias variavam entre mistério, aventura e ficção científica. Seguindo a narrativa, o leitor se deparava constantemente com decisões que ele mesmo deveria tomar e, dessa forma, decidir qual o caminho a ser seguir. Uma divertida incursão na ficção interativa para a garotada.

O primeiro que comprei foi Sabotagem, mas meu favorito era Quem Matou Harold Taylor?, pois eu já era apaixonado por histórias de detetive desde a pré-adolescência. Ainda hoje a coleção é lembrada como uma das mais populares para crianças dos anos 80 e 90. Vendeu mais de 250 milhões de cópias entre 1979 e 1998. Era uma diversão acessível, empolgante e só dependia de uma coisa: vontade de ler. Com a atual profusão de apetrechos tecnológicos, esses livros hoje dificilmente empolgariam a meninada como empolgou minha geração. 



Edward Packard, autor que abriu a série com A Gruta do Tempo (The Cave of Time), escreveu vários outros títulos para a coleção (Nome de Código: Jonas, Quem Matou Harold Taylor?, A Casa Mal-Assombrada etc.). Em 2010, ele abriu uma nova empresa, a U-Ventures, lançando aplicativos no estilo dos livros Choose Your Own Adventure, para iPhone e iPad. Os aplicativos são baseados em alguns livros do próprio Packard. O primeiro título lançado foi Return to the Cave of Time, espécie de continuação da história que inaugurou a série impressa no começo dos anos 80. 


9 comentários:

  1. Nossa.. eu tinha a Casa Mal assombrada.. emprestei e perdi!! Mas até hoje amo essa história.. pena que nunca mais publicaram..

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    1. Eu tô procurando esse livro faz anos!!!! Também emprestei e perdi

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  2. Eu me lembro de, quando criança, ter lido um de suspense dessa série!! Foi ele quem me despertou o gosto pela leitura.

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  3. É possível encontrar versão em pdf desses livros?

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  4. Não encontro em lugar nunhum. Se alguem puder dispor em pdf agradeço.

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  5. o admin deste blog tem estes livros acima mostrados, escaneia aí pra nós irmão

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  6. Alguém consegue link em PDF de algum desses livros?? Por favor, eu lia quando era criança e agr não acho em lugar nenhum :(

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