Obscuridades do tempo das locadoras


Algum tempo atrás, falei da nostalgia que algumas pessoas sentem quando lembram das videolocadoras. Mais do que simples saudade daquela época em que podíamos passear pelas prateleiras dos filmes e passar horas descobrindo novos títulos para alugar, sinto  falta de algumas raridades daquele tempo. Filmes canhestros, ruins mesmo. Produções obscuras que desafiam qualquer tentativa de racionalização do tipo "por que diabos alguém se daria ao trabalho de lançar essa fita?".

Pois bem, justamente por esse motivo, considero alguns desses filmes verdadeiras obras-primas da era das locadoras. Eles já não são mais exibidos na TV, não foram lançados em DVD e nem existem mais, a não ser na estante de um ou outro colecionador que ainda possua essas raridades em VHS. 

Selecionei três dessas maravilhas que ficaram aprisionadas na era do VHS e permanecem no limbo do (quase) esquecimento total. Meu trio de pérolas obscuras: Irmãs Diabólicas (Psycho Sisters, 1973), O Flash da Morte (The Photographer, 1974) e Imagem da Morte (Image of Death, 1977). Quem, porventura, tem alguma dessas fitas (ou as três!), guarde esse tesouro com carinho.

Descobri esses filmes ainda na adolescência, quando era um ávido frequentador das videolocadoras. Sempre tive uma predileção pelos filmes mais esquisitos, obscuros ou menos conhecidos. Alguns até acabam se tornando cult com o tempo, outros continuam ignorados. Tentei achar versões online para baixar, ou mesmo assistir no youtube, mas não encontrei. Tenho as fitas, já gastas de tanto serem assistidas ao longo de décadas. E não me canso. Aqui vão elas:

Imagem da Morte (Image of Death)

Direção: Kevin James Dobson
Elenco: Cathey Paine, Penne Hackforth-Jones, Cheryl Waters, Tony Bonner, Sheila Helpmann.
Austrália, 1977

A ambiciosa Yvonne Arthur vê sua chance de ouro surgir com a chegada de uma amiga dos tempos do colégio, a ricaça Barbara Shields. Aos poucos, uma ideia vai tomando conta de Yvonne: assumir o lugar da amiga e desfrutar de sua fortuna. Rubens Ewald Filho, no Guia Vídeo News Filmes, descreve bem essa fita, lançada no Brasil pela Poletel: "A história serviria bem para uma novela de Janete Clair. Uma moça pobre e ambiciosa mata sua colega de escola milionária e tímida, que seria parecida com ela. Toma seu lugar, mas com tão poucas precauções que não custa a ser descoberta e ter que praticar outros crimes. Produção antiquada e atores deficientes atrapalham esta ideia mal roteirizada."






Irmãs Diabólicas (Psycho Sisters)

Direção: Reginald Le Borg
Elenco: Susan Strasberg, Faith Domergue, John Ashton, Sydney Chaplin, Ben Frank.
EUA, 1973

Apesar de vendida como suspense, essa fita está mais para trama policial de segunda categoria. A edição do filme parece ter sido feita por estudantes do primeiro semestre e as atuações são bem afetadas, mas exatamente por isso, não tem como não se envolver. E dá-lhe clichês! A fita foi lançada no Brasil pela FJ Lucas Vídeo, com uma capa paupérrima e nada a ver. Novamente é Rubens Ewald Filho, no Guia Vídeo News Filmes, quem descreve muito bem essa fita: "Último filme do diretor veterano (que fez A Torre dos Mosntros). Rodado como So Evil My Love, envelheceu muito. Não só a trama lembra dezenas de outros semelhantes, como tudo ficou feio, brega e mal interpretado (apesar de o elenco ter figuras ilustres como Susan, filha de Lee Strasberg, Faith, estrela dos anos 40 e Sydney, filho de Carlitos). É impossível não sacar logo a história, que começa com a viuvez de Susan (o marido morre num acidente de carro depois de ter roubado uma fortuna da irmã mais velha dela). Susan vai morar com ela, que aparentemente a está envenenando com um remédio que lhe dá pesadelos. A situação se desdobra em óbivas revelações duplas. Não vale nem mesmo pelos nostálgicos, que achavam Le Borg talentoso."






O Flash da Morte (The Photographer)

Direção: William Byron Hillman
Elenco: Michael Callan, Barbara Nichols, Harold J. Stone, Edward Andrews, Susan Damante.
EUA, 1974

Adrian Wilde é um fotógrafo atormentado por problemas psicológicos. Um acidente em sua infância - pegou a mãe e o amante fazendo sexo - afetou Adrian, razão pela qual ele usa a fotografia para atrair belas mulheres, matá-las e fotografá-las. Michael Callan, que faz o papel de Adrian, é convincente, mas a história toda é bem inverossímil. A relação de Adrian com a mãe beira o cômico. Mas o surpreendente é a virada no final. O lançamento da fita aqui no Brasil ficou a cargo da Globo Vídeo, que lançava coisas esquisitíssimas em vídeo (para nossa alegria). Como se não bastasse, o diretor William Byron Hillman refez o filme em 1983, com o nome Retrato Mortal (Double Exposure), e escalou novamente Michael Callan para o mesmo papel de Adrian. Mas é claro que eu recomendo o original de 1974, que praticamente saiu de circulação.




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