
O diretor, Robert Mulligan, é o mesmo de O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird, 1962) e Houve Uma Vez Um Verão (Summer of '42, 1971). O filme é a adaptação de um romance de Thomas Tryon, roteirizada pelo próprio autor. É um filme de clima, de ambiente. Nele, os dois lados - o "bom" e o "mau" - ganham vida com os irmãos gêmeos Niles e Holland, de 10 anos (vividos respectivamente pelos irmãos Chris e Martin Udvarnoky). Mas, à medida que a história avança, esse limite entre inocência e maldade vai se tornando menos claro. Enquanto Niles é gentil e querido por todos, Holland se mostra arredio, autoritário e frio. Mas não dá para dizer, ao certo, que um é o bonzinho e o outro o malvado.
Tudo se passa numa fazenda em Connecticut, em 1935. Niles e Holland brincam e correm soltos pelas redondezas, como qualquer criança dessa idade. Mas criam um mundo só deles, repleto de mistérios, aventuras e segredos. A mãe, em depressão, parece nunca ter superado a morte do marido, pai dos meninos. Niles tem muita afinidade com a avó Ada (Uta Hagen), que o ensinou um curioso jogo mental. Porém, coisas estranhas acontecem na fazenda e o filme parece nos mostrar, aos poucos, que os irmãos conhecem a razão dos acontecimentos.
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Niles (Chris Udvarnoky) e sua avó Ada (Uta Hagen) |
De tempos em tempos, surgem atores mirins extremamente talentosos, que nos deixam boquiabertos com suas interpretações. A maioria acaba sumindo ou seguindo novos caminhos. Outros têm um destino menos feliz e se envolvem em escândalos, crimes ou abuso de drogas. No caso de Chris Udvarnoky, que fez magistralmente o papel de Niles, a morte o tirou de cena. Na verdade, quando ele faleceu em 2010, aos 49 anos, já não era mais ator. A Inocente Face do Terror foi o único filme que ele fez (assim como o irmão Martin). Tanto que isso nem chegou a ser mencionado em seu obituário (o que é de se estranhar, pois trata-se de um filme elogiado pela crítica e apreciado por muitos).
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Chris e Martin Udvarnoky durante as filmagens de The Other |
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Os irmãos Chris e Martin, adultos |
Após o longa, os gêmeos levaram uma vida bem comum, mas bem longe dos holofotes. Se a decisão foi deles ou da família, ninguém sabe ao certo. Talvez tenham optado por não seguir o caminho dos astros mirins do cinema e tentaram 'apagar' de suas experiências a participação no filme. Tanto que jamais voltaram a fazer outro. É possível que também não quisessem ser lembrados como os diabólicos gêmeos de um filme de terror. O fato é que Chris estudou, se formou e tornou-se técnico em radiologia. Morreu precocemente de doença renal policística.
Para os padrões de hoje, o filme seria considerado lento. Mas a tensão psicológica é irresistível. Não há monstros gosmentos nem tripas espalhadas, mas a atmosfera bucólica e ensolarada vai se tornando cada vez mais soturna e assustadora. Para quem não assistiu, quanto menos detalhes sobre o filme, melhor. Fica a dica.
Tenho esse VHS da época. E ele foi lançado em DVD uns 2 meses atrás no box Obras Primas do Terror 3.
ResponderExcluirAssisti hoje em DVD. O começo foi lento, mas realmente a história toma fôlego e surpreende na segunda metade.
ResponderExcluirAssisti há muito tempo atrás. Um deles morreram de verdade por falência renal. Assisti no SBT na sessão da madrugada.
ResponderExcluirPra dizer a verdade acho que os filmes de terror psicológico são os melhores e esse , juntamente com Psycho, são os melhores filmes do gênero. Colocaria na lista o iluminado tbem
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