Menos (em alguns casos) é mais


De vez em quando dou uma fugida dos temas usuais do blog e escrevo um post sobre comportamento. Não é a ideia principal aqui, mas às vezes não resisto. Desta vez o que me levou a mudar um pouco de assunto foi o frenesi causado esta semana, após a Apple anunciar seus novos modelos de telefone celular (o iPhone 6s e o iPhone 6s Plus).

Sei que a febre dos tempos atuais é, de fato, o smartphone, seja da Apple ou não. Uma verdadeira revolução nos hábitos de comportamento, em vários sentidos. Facilitou muita coisa, mas também debilitou outras tantas.

A obsessão das pessoas pelos smartphones é que me assusta um pouco. Por eu não ter saco para acompanhar as constantes mudanças da tecnologia na velocidade espantosa com que elas acontecem hoje em dia, acabo boiando muitas vezes. Mas é uma decisão totalmente consciente. Assumo minha falta de interesse.

Longe de mim fazer pregação contra o uso de smartphones e coisas do gênero. Até porque eu tenho um. Modelo antigo, é verdade, que ganhei, mas que me serve muito bem, obrigado. Reservo-me o direito de não estar acorrentado a essas constantes mudanças. O que a maioria das pessoas ignora é que existe uma parte da população que não se interessa em trocar de celular a cada seis meses e nem em ter o modelo mais hiper-ultra-mega-super-moderno.


Há dois anos guardei o recorte de um texto da Cora Rónai, publicado na coluna de Economia do jornal O Globo. Lembro que achei bem interessante. O título era "Eles não querem smartphone". Ela começava assim:

"O sonho de todo fabricante de celular é por o máximo de funções num mínimo de espaço. Mesmo os aparelhos mais simples são, hoje, pequenos canivetes suíços: acessam a internet, mandam torpedos, têm câmera, rádio, uma quantidade de aplicativos. Parece que todo mundo se esqueceu de que há uma parcela de consumidores que não querem mais dos seus telefones, mas menos, muito menos: são aqueles, justamente, que só querem falar."

Ela segue falando que todos têm um parente que ignora as principais funções do seu celular e não está nem aí para o sistema operacional. Outra grande verdade. Eu mesmo, com exceção da câmera e do famigerado whatsapp, não uso outra coisa no meu celular. Para uma pessoa como eu, um smartphone de última geração é um desperdício de dinheiro e de tecnologia. Tenho plena consciência de que faço parte de uma minoria. Paciência.

O que espero de um telefone celular é que ele faça e receba ligações. Simples assim. E falando nisso, os aparelhos mais simples aguentam quase uma semana sem precisar de ter a bateria recarregada, podem funcionar como lanterna e são bem mais resistentes a tombos, poeira, água... (É claro que isso não significa nada para os aficionados por tecnologia, também sei).

Em outra parte do texto, Cora fala:

"E há um contingente de velhinhos e velhinhas que ficariam realizados com celulares sem frescuras, simples de usar, cuja principal atração fossem números suficientemente grandes."

Nem precisa ser velhinho. Eu não sou e me sinto mais que satisfeito com um celular sem mil funções e aplicativos. E tenho alguns amigos, até mais jovens do que eu, que também não se ligam em celulares com um milhão de funções. Não por nenhuma filosofia de vida pretensiosa nem rebeldia contra o sistema. Nada disso. Apenas por não sentirem necessidade mesmo.

Houve um tempo em que celulares eram usados para fazer e receber ligações

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